O 96P/Machholz, também conhecido como Machholz 1, é um cometa periódico de aproximação solar descoberto em 12 de maio de 1986 pelo astrônomo amador Donald Machholz no pico de Loma Prieta, na Califórnia, Estados Unidos, usando binóculos de 130 mm. É o cometa numerado regular com a menor distância ao periélio conhecida — excluindo pequenos cometas descobertos pelo SOHO —, aproximando-se do Sol a apenas 0,116 UA, consideravelmente mais perto do que a órbita de Mercúrio. O cometa possui composição química muito incomum entre os cometas conhecidos, apresentando severa depleção de carbono e cianogênio, o que levou alguns pesquisadores a sugerir uma possível origem interestelar.
Descoberta O cometa foi descoberto por Donald Machholz em 12 de maio de 1986 durante observações a olho nu assistidas por binóculos no pico de Loma Prieta, no centro da Califórnia. Em 6 de junho de 1986, o 96P/Machholz passou a 0,404 UA (cerca de 60,4 milhões de quilômetros) da Terra. O cometa recebeu a designação provisória P/1986 J2 e foi o 96o cometa periódico a ser numerado pelo Centro de Planetas Menores.
Características orbitais O 96P/Machholz possui uma órbita altamente excêntrica, com excentricidade de 0,96173 e período orbital de aproximadamente 5,277 anos. É o único cometa de período curto conhecido com alta inclinação orbital (57,586°) combinada com alta excentricidade. O seu parâmetro de Tisserand em relação a Júpiter é de 1,942, valor abaixo de 2, limiar convencional para classificação como cometa da família de Júpiter; integrações orbitais indicam que esse parâmetro era superior a 2 há cerca de 2 500 anos. Atualmente o cometa encontra-se em ressonância orbital 9:4 com Júpiter. A distância ao periélio vem diminuindo progressivamente ao longo dos séculos: era de 0,169 UA em 1897 e deverá atingir 0,093 UA em 2102. Em 2081, será a primeira passagem com periélio abaixo de 0,1 UA. Estudos de dinâmica orbital sugerem que o cometa poderá eventualmente ser ejetado do Sistema Solar.
Características físicas O núcleo do 96P/Machholz tem diâmetro estimado em cerca de 6,4 km. Ao atingir o periélio, o cometa passa pelo Sol a uma velocidade máxima de aproximadamente 122 km/s (cerca de 440 000 km/h).
Composição química e possível origem Análises espectroscópicas da coma do 96P/Machholz, realizadas durante a aparição de 2007 no âmbito do programa de composição de cometas do Observatório Lowell, revelaram que o cometa contém muito menos moléculas de carbono do que os demais cometas estudados. Em comparação com as abundâncias medidas em outros 150 cometas do banco de dados do Lowell, os demais apresentavam em média 72 vezes mais cianogênio do que o 96P/Machholz. A confirmação formal da depleção foi publicada pela União Astronômica Internacional em 2007. Os únicos cometas com depleção semelhante tanto em cadeias de carbono quanto em cianogênio eram o C/1988 Y1 (Yanaka) e o C/2025 K1 (ATLAS), ambos com órbitas substancialmente distintas. O Observatório Lowell reconheceu o 96P/Machholz como representante de uma nova classe composicional de cometas. Três hipóteses foram propostas para explicar essa composição incomum: (1) o cometa seria um objeto interestelar capturado gravitacionalmente pelo Sol; (2) teria se formado em uma região extremamente fria do Sistema Solar, onde a maior parte do carbono fica retida em outras moléculas; ou (3) as sucessivas aproximações ao Sol teriam removido progressivamente o cianogênio e o carbono da superfície do núcleo ao longo de bilhões de anos.
Grupos Marsden e Kracht O 96P/Machholz é considerado o corpo-pai tanto do grupo Marsden quanto do grupo Kracht de cometas rasantes solares. A órbita do cometa está também associada aos Ariétidas, um enxame de meteoros diurno.
Observações pelo SOHO O cometa entrou no campo de visão do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO) em diversas ocasiões, sendo observado pelo instrumento LASCO (coronógrafos C2 e C3) nos anos de 1996, 2002, 2007, 2012, 2017 e 2023, tornando-se um dos objetos mais bem documentados pelo satélite. Durante a passagem de 2002, o cometa atingiu magnitude aparente −2, sendo muito impressionante nas imagens do SOHO. Em abril de 2007, o cometa apareceu no campo do LASCO C3 entre os dias 2 e 6, atingindo o pico de brilho em 4 de abril, com magnitude aproximada de +2; o espalhamento frontal da luz solar tornou o cometa significativamente mais brilhante do que o esperado. Em julho de 2012, o cometa foi novamente visível no campo do LASCO/C3 entre os dias 12 e 17, com brilho esperado de magnitude +2. A passagem de outubro de 2017 ocorreu com periélio em 27 de outubro, quando o cometa se aproximou a 0,12395 UA do Sol, com brilho de pico esperado de magnitude 2,0. A passagem de 31 de janeiro de 2023 foi a sexta registrada pelo SOHO; em 4 de fevereiro de 2023, o cometa foi recuperado no céu matutino a cerca de dois graus acima do horizonte, com magnitude aproximada de 7.
Fragmentação Durante a passagem de 2012, dois pequenos fragmentos do 96P/Machholz foram detectados nas imagens C2 do SOHO, viajando cerca de cinco horas à frente do núcleo principal e provavelmente originados durante o periélio de 2007. O cometa SOHO-2333 também é considerado um fragmento do 96P/Machholz desprendido durante o periélio de 2007, tendo sido descoberto pelo astrônomo amador indiano Prafull Sharma em agosto de 2012 a partir da análise de dados públicos do SOHO.
Próximas passagens O próximo periélio do 96P/Machholz está previsto para 12 de maio de 2028, quando o cometa passará a 0,116 UA do Sol. A próxima aproximação significativa à Terra ocorrerá em 2028, com passagem a 0,3197 UA (cerca de 47,8 milhões de quilômetros). Uma aproximação mais próxima, de 0,179 UA, está prevista para 13 de junho de 2139.
Referências
Ligações externas «96P/Machholz no JPL Small-Body Database» (em inglês) «96P/Machholz no Minor Planet Center» (em inglês) «The Sungrazer Project – NASA/NRL» (em inglês) «96P/Machholz 1 – Cometography» (em inglês)

