ACTC1 ou actina alfa do músculo cardíaco é uma proteína codificada pelo gene ACTC1 no cromossoma 15 humano. Esta isoforma difere da actina alfa que se expressa no músculo esquelético, chamada ACTA1. A actina alfa cardíaca é a principal proteína dos filamentos finos dos sarcómeros cardíacos, que é responsável pela contração muscular e geração de força para suportar a função de bombagem do coração.

Estrutura A actina alfa cardíaca é uma proteína de 42.0 kDa composta por 377 aminoácidos. A actina alfa cardíaca é uma proteína filamentosa que se estende a partir de uma complexa rede com a alfa-actinina cardíaca (ACTN2) nas linhas Z em direção ao centro do sarcómero. A polimerização da actina globular (actina G) origina um filamento estrutural (actina F) na forma de uma hélice bicatenária. Cada actina pode ligar-se a outras quatro. A estrutura atómica da actina monómera foi resolvida por Kabsch et al., e pouco depois este mesmo grupo publicou a estrutura do filamento da actina. As actinas são proteínas muito conservadas; as actinas alfa encontram-se em tecidos musculares e são um constituinte importante do aparelho contráctil. As actinas alfa cardíaca (ACTC1) e esquelética (ACTA1) diferenciam-se em apenas quatro resíduos de aminoácidos (Asp4Glu, Glu5Asp, Leu301Met, Ser360Thr; cardíaca/esquelética). O monómero de actina tem dois domínios simétricos; o domínio interno maior compreende os subdomínios 3 e 4, e o domínio externo mais pequeno consta dos subdomínios 1 e 2. Ambos os aminoácidos carboxi-terminais estão no subdomínio 1 do domínio externo.

Função A actina é uma estrutura dinâmica que pode adotar dois estados de flexibilidade, e a maior diferença entre esses estados produz-se como resultado do movimento dentro do subdomínio 2. A ligação da miosina aumenta a flexibilidade da actina, e os estudos da formação de ligações cruzadas mostraram que o subfragmento 1 da miosina se liga à actina pelos resíduos de aminoácidos 48-67 do subdomínio 2 da actina, o que pode explicar este efeito. Sugeriu-se que o gene ACTC1 tem um papel durante o desenvolvimento. As experiências realizadas em embriões de galinha encontraram uma associação entre o knockdown do gene ACTC1 e a redução do septo interauricular.

Importância clínica Os polimorfismos no gene ACTC1 foram ligados à cardiomiopatia dilatada num pequeno número de pacientes japoneses. Outros estudos em pacientes sul-africanos não encontraram nenhuma associação. A mutação de sentido trocado E101K foi associada à cardiomiopatia hipertrófica e à não-compactação do ventrículo esquerdo. Outra mutação no gene ACTC1 foi associada a defeitos no septo auricular.

Referências