Andreza Matais

Alcolumbre calcula ter votos para fim da 6×1; Flávio quer flexibilização
Alcolumbre calcula ter votos para fim da 6×1; Flávio quer flexibilização · Imagem: Lula intensificou diálogo com Alcolumbre para destravar PEC da escala 6x1 antes das eleições

Campanha de Flávio avalia que aprovação da medida não altera vantagem sobre Lula nem rende dividendos eleitorais ao petista

Alcolumbre calcula ter votos para fim da 6x1; Flávio quer flexibilização
Alcolumbre calcula ter votos para fim da 6x1; Flávio quer flexibilização · Imagem: Source: www.metropoles.com

Andreza Matais

06/10/2026 15:09

Lula intensificou diálogo com Alcolumbre para destravar PEC da escala 6x1 antes das eleições

O grupo do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), calcula que ele terá os votos necessários para aprovar o fim da escala 6×1 no Senado. Deve contar até mesmo com votos da direita, como o do senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos).

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou a proposta por 23 votos no último dia 2 de setembro. Dos 27 senadores presentes, apenas quatro votaram contra: Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Marinho é coordenador-geral da campanha de Flávio; Teresa coordena a área de agricultura.

Derrotado nas eleições do Amapá, onde todos os seus candidatos perderam, Alcolumbre não fará um movimento pró-Flávio Bolsonaro adiando a discussão. Quem o conhece diz que o senador ganhou espaço na política por ser um cumpridor de palavra e, neste caso, comprometeu-se com Lula a pautar a medida. Como não faz nada de graça, o petista apoiou, em troca, seus candidatos no Amapá. Um apoio que não valeu de nada.

Lula vê o fim da escala 6×1 como mais uma medida eleitoreira capaz de ajudar a desgastar Flávio Bolsonaro, contrário à proposta. Na campanha de Flávio, contudo, a avaliação é que a aprovação da medida não irá mexer na vantagem do presidenciável sobre Lula por dois motivos.

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O primeiro é que Flávio é favorável à flexibilização das regras. Ou seja, caberia ao empregador e ao empregado definir a jornada, sem a interferência do Estado. O segundo é que o fim da escala 6×1 já estaria consolidado entre os eleitores. Assim, sua aprovação não renderia dividendos políticos.

Flávio ainda pretende explorar a aliança entre Lula e Alcolumbre, considerada fonte de desgaste para o petista, uma vez que o senador do Amapá foi quem segurou os pedidos de impeachment de ministros do Supremo. A agenda anti-Supremo foi decisiva para Flávio vencer a primeira rodada do certame.

A única certeza hoje dos dois lados é que Alcolumbre encerra sua carreira como presidente do Congresso se Flávio vencer as eleições.

Além de barrar os pedidos contra ministros do Supremo, Alcolumbre usou o cargo para pressionar diferentes governos. Fez isso com Lula, ao impor uma derrota à indicação de Jorge Messias ao Supremo. Nesse caso, cumpriu o que havia dito ao próprio presidente. E também com Jair Bolsonaro, quando, da mesma forma, segurou por quatro meses a sabatina de André Mendonça.