Mirelle Pinheiro

A nova fase é um desdobramento da investigação que apura irregularidades na cadeia de comercialização e exportação de minérios

Mirelle Pinheiro
23/09/2026 09:42
Divulgação
A Polícia Federal (PF) voltou a fazer buscas contra o cantor Alexandre Pires e o empresário Matheus Possebon nesta quarta-feira (23/9), durante a segunda fase da Operação Disco de Ouro. A investigação apura um esquema de lavagem de dinheiro ligado à comercialização e exportação de minérios, que teria movimentado e ocultado mais de US$ 48 milhões, cerca de R$ 246 milhões.
Alexandre Pires e Possebon já haviam sido alvo da primeira fase da operação, deflagrada em dezembro de 2023. Na época, a PF investigava um esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 250 milhões com a exploração e comercialização ilegal de cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Nesta segunda fase, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores, autorizados pela Justiça Federal.
Segundo a PF, o grupo investigado teria usado empresas brasileiras e estrangeiras, contas de terceiros, operações financeiras internacionais e o chamado dólar-cabo para movimentar e esconder os recursos.
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O dólar-cabo é um mecanismo informal de transferência de valores entre países. A investigação aponta que o dinheiro era pulverizado entre pessoas e empresas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos.
A nova fase também apura o uso de documentos com informações falsas para dar aparência de regularidade a operações relacionadas à cadeia de comercialização e exportação de minérios.
Alexandre Pires e Possebon
A primeira fase da Operação Disco de Ouro ganhou repercussão nacional ao atingir Alexandre Pires e Matheus Possebon. A informação de que o cantor estava entre os alvos foi revelada pela coluna.
A ação ocorreu em dezembro de 2023, quando policiais federais fizeram buscas no navio em que Alexandre Pires estava, em Santos, no litoral de São Paulo. Possebon, empresário ligado ao cantor, foi preso durante a operação.
Na época, a PF investigava um esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 250 milhões com a exploração e comercialização ilegal de cassiterita retirada da Terra Indígena Yanomami.
A investigação apontava que o minério extraído ilegalmente em Roraima era declarado como se tivesse origem em uma área regular de garimpo em Itaituba, no Pará. Segundo a apuração, esse trajeto existiria apenas nos documentos usados para dar aparência legal à cassiterita.
Alexandre Pires entrou na investigação por suspeita de ter recebido valores de uma mineradora investigada. Na primeira fase, a PF apontou o recebimento de cerca de R$ 1 milhão relacionado à empresa e apreendeu o celular do cantor.
A investigação citou ainda R$ 375 mil recebidos na conta pessoal do artista e uma transferência de R$ 160 mil feita pela empresa dele a um dos investigados.
A defesa de Alexandre Pires negou qualquer envolvimento do cantor em atividades ilegais. “A defesa do cantor Alexandre Pires vem a público esclarecer que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon esteve restrita à intermediação da venda de shows do artista à época.”
Ainda de acordo com o texto, “não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor. Eventuais fatos investigados pela Polícia Federal que estejam fora desse contexto dizem respeito exclusivamente a atos atribuídos ao citado empresário, praticados fora de sua atuação como intermediador na venda de shows de Alexandre Pires.”
“O cantor segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e certo de que a verdade será devidamente demonstrada”, completou.
A defesa de Possebon também negou envolvimento dele no esquema e afirmou, após a primeira fase, que comprovaria que o empresário não tinha relação com os fatos investigados.
Disco de Ouro
A investigação que deu origem à Operação Disco de Ouro começou após a apreensão, em janeiro de 2022, de cerca de 30 toneladas de cassiterita, que, segundo a PF, haviam sido retiradas ilegalmente da Terra Indígena Yanomami.
A primeira fase teve dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão em diferentes estados. A Justiça também determinou o sequestro de mais de R$ 130 milhões em bens dos investigados.
Os investigados podem responder, de acordo com a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira.


