Alteparmaque (em turco: Altıparmak, lit. "seis dedos") ou Barcal (em armênio: Բարխալ, Barχal) é uma vila (köy) do distrito de Iussufeli, na província de Artvim, na Turquia. Situa-se no vale do curso médio do rio Barcal, um afluente esquerdo do Choruque, numa área ensolarada e arborizada.

História Alteparmaque, historicamente chamada Barcal, pertencia à província de Taique, do Reino da Armênia da Antiguidade. Tornar-se-ia sede do distrito homônimo, situado ao sopé das montanhas Parcar, às margens do rio Barcal. De acordo com o historiador Łevond Ališan, antigamente era uma cidade, que mais tarde se transformou em aldeia habitada por turcos. Os otomanos tomaram-na dos georgianos em meados do século XVI e a anexaram no sanjaco de Livane. Segundo o censo da administração otomana de 1835, para fins fiscais e recrutamento militar, um total de 812 homens viviam em 274 domicílios. Como a administração otomana registrou apenas a população masculina, a população total deve ser calculada adicionando o mesmo número de mulheres que de homens. Isso resulta em uma população de 1 624. Este número populacional também demonstra que era um assentamento bastante grande. Na segunda metade do século XIX, pertencia ao sanjaco do Lazistão do eialete de Trebizonda e era uma das vilas do caza de Livane. Foi registrada sob o nome de Barcal (بارحال, Barhal) no anuário do vilaiete de Trebizonda de 1876. Segundo o documento, ela contava com 739 pessoas em 204 domicílios. Embora não mencionada explicitamente no anuário, a administração otomana à época registrou apenas a população masculina e especula-se que a população total masculina e feminina da vila consistia em 1 478 pessoas. A vila, que subsistia da agricultura, tinha 80 bois, 100 vacas, 10 cavalos, 800 cabras e 1 027 ovelhas como gado. De acordo com informações fornecidas por Giorgi Kazbegi, que visitou as terras tomadas dos georgianos pelos otomanos em 1874, a vila de Barcal estava situada em ambas as margens do rio de mesmo nome. Mais de 200 famílias viviam na vila. As casas estavam alinhadas numa única linha ao longo de um vale estreito por quatro quilômetros. Naquela época, apesar de ser uma vila georgiana muçulmana, tinha uma comunidade ortodoxa georgiana de cinco famílias. Incluindo a população que escondeu seu cristianismo, esse número chegou a 80. O arqueólogo georgiano Ekvtime Takaišvili a visitou entre 1907 e 1917 e registrou que, à época, divida-se em vários bairros: Gochevati, Quil Quilioni, Pizvodi, Bogatequeti, Buquetlari, Jatelari, Perseti Ananisqueti, Inguili, Lazguili e Sultão Guili. Também havia bairros acima do riacho Queveque, cujos nomes eram Dolóissi, Quelenxevi, Coloteti, Borivani e Cosseler. Nas aldeias abaixo de Barcal, durante a colheita da uva, jovens nus realizavam cerimônias semelhantes às dedicadas a Aguna, o deus dos vinhedos e do vinho na mitologia georgiana, muito embora a prática fosse proibida pelo clero local. No censo de 1935, Barcal pertencia ao caza de Iussufeli e foi anexada à província de Erzurum. Naquela época, a população da vila era de 1 637 pessoas. De acordo com o censo de 1940, Iussufeli foi transferido à província de Choruque (futura Artvim). Nesse censo, a vila registrou 1 648 habitantes (641 homens e 1 043 mulheres). Em 1950, tinha 1 676 residentes. Seu nome foi alterado para Alteparmaque com a lei N.o 7267 de 1959, pois "vem de raízes estrangeiras". Esse nome foi inspirado no formato dos picos das montanhas da região, que assemelham-se a seis dedos. No censo de 1960, havia 1 539 pessoas (601 homens e 938 mulheres). No censo de 1965, registraram-se 1 668 habitantes (660 homens e 1 008 mulheres), dos quais apenas 288 eram alfabetizados. Em 1990, havia 1 291 habitantes.

Patrimônio histórico Alteparmaque é conhecida por seu mosteiro do século X, cuja construção foi concluída em 973, e que hoje é uma mesquita. Nas cercanias existem algumas igrejas. Ao norte do mosteiro, numa colina, subsistem fragmentos bastante danificados de antigos edifícios. No topo de uma alta montanha a leste da vila, os moradores confirmam a existência de uma fortaleza e a chamam de Verrancale, cujos vestígios foram perdidos. É possível que esta fortaleza seja a "Barconi" conhecida por fontes históricas. Um canal de irrigação escavado na rocha que se estendia por vários quilômetros nesta região foi construído nos séculos XII e XIII durante o reinado da rainha georgiana Tamara (r. 1184–1213).

Economia No tempo da visita de Takaišvili, o cultivo de frutas e a criação de animais eram as principais fontes de renda. Ela já foi famosa pela tecelagem de lã. Um mercado era realizado às sextas-feiras. Esse mercado era visitado por lazes que viviam do outro lado das montanhas, que vendiam produtos de madeira e tecidos baratos trazidos de Istambul. Outros produtos, como milho, também eram vendidos, e faz-se menção a alfaiates.

Referências

Bibliografia