A AMD ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nesta segunda-feira (21), impulsionada pelo otimismo dos investidores com a demanda por chips de inteligência artificial e data centers. Por volta do fim da tarde, a empresa valia cerca de US$ 1,004 trilhão (cerca de R$ 5,13 trilhões) , com as ações próximas de US$ 615 e alta de quase 10% no dia , segundo o CompaniesMarketCap. O marco coloca a AMD em um grupo restrito de fabricantes americanas de chips que já passaram de US$ 1 trilhão, ao lado de NVIDIA, Broadcom e Micron . A rival Intel continua bem abaixo desse patamar, apesar de também ter registrado forte valorização nesta segunda. A diferença chama atenção porque, há pouco mais de uma década, a AMD terminou 2014 avaliada em cerca de US$ 2 bilhões . IA colocou a AMD em outro patamar O principal motor da valorização recente é a expansão da empresa no mercado de infraestrutura para IA. A AMD acelerou o lançamento das GPUs Instinct , voltadas para data centers e treinamento e execução de modelos de inteligência artificial, e passou a oferecer sistemas completos que combinam GPUs, processadores EPYC, rede e outros componentes. Essa estratégia aproxima a companhia da NVIDIA, líder absoluta do setor de aceleradores de IA, e amplia seu espaço em servidores. Ao mesmo tempo, os processadores EPYC vêm conquistando participação em um mercado historicamente dominado pela Intel. Os números financeiros mostram esse avanço. No segundo trimestre de 2026, a receita da AMD chegou ao recorde de US$ 11,5 bilhões , alta de 50% sobre o mesmo período do ano anterior. Somente a divisão de data centers faturou US$ 6,7 bilhões , crescimento de 107% em um ano, impulsionada justamente pelos processadores EPYC e GPUs Instinct. Essa área já respondeu por 58% da receita da companhia no trimestre. Ações da AMD dispararam em 2026 O valor de mercado de US$ 1 trilhão é resultado de uma alta acelerada das ações. Segundo a Reuters, os papéis da AMD acumulavam valorização de aproximadamente 185% em 2026 nesta segunda-feira, contra avanço de cerca de 16% do Nasdaq no mesmo período. Há apenas um ano, o mercado avaliava a companhia em aproximadamente US$ 255 bilhões , segundo o MarketWatch. Isso significa que o valor da empresa quase quadruplicou nesse intervalo. O movimento desta segunda também acompanhou uma alta generalizada das empresas ligadas à infraestrutura de IA. Intel, Arm, Micron e outras fabricantes de chips avançaram enquanto investidores voltaram a apostar no crescimento da demanda por capacidade computacional. AMD deixou a Intel para trás? Em valor de mercado, sim. Antes da disparada desta segunda-feira, a Intel estava avaliada em cerca de US$ 574 bilhões , segundo dados do CompaniesMarketCap, enquanto a AMD já se aproximava dos US$ 914 bilhões. A diferença também reflete uma mudança no mercado de servidores. A AMD conseguiu avançar com os processadores EPYC enquanto amplia sua presença em GPUs para inteligência artificial, duas áreas diretamente beneficiadas pela construção de novos data centers. Isso não significa que a AMD tenha superado a NVIDIA. A empresa de Jensen Huang continua em outro patamar, avaliada em mais de US$ 5 trilhões , segundo a Reuters. O salto para US$ 1 trilhão mostra, porém, como a corrida pela IA transformou a posição da AMD: de uma concorrente que lutava para recuperar espaço da Intel para uma das empresas mais valiosas do setor de semicondutores. Veja mais de IA no Canaltech: NVIDIA declara guerra ao “discurso do apocalipse” de IA: “0% de chance”






