O fundo do mar perto de Gela, na Sicília, preservou dezenas de lingotes de uma liga antiga rica em cobre e zinco. Agora, um estudo publicado em 25 de setembro de 2026 analisou parte desse material sem cortar as peças. As diferenças internas ajudam a reconstruir como artesãos produziram o oricalco há cerca de 2.600 anos.
Onde os lingotes de oricalco foram encontrados perto da Sicília?
🏛️ 2014: Pesquisadores recuperam 40 lingotes em Contrada Bulala, perto de Gela.
🌿 2016: Uma segunda campanha localiza mais 47 peças no mesmo setor submarino.
🚀 2026: Um estudo estrutural investiga 11 lingotes representativos por difração de nêutrons.
Os achados vieram do leito marinho de Contrada Bulala, diante de Gela, no sul da Sicília. Em 2014, a primeira recuperação reuniu 40 peças e, em fevereiro de 2016, outra campanha encontrou mais 47 lingotes próximos. Assim, duas campanhas formaram o principal conjunto usado pelas pesquisas científicas posteriores.
Depois, análises químicas indicaram uma liga formada principalmente por cobre e zinco, compatível com o oricalco descrito em contextos antigos. A datação arqueológica situa o conjunto no século VI a.C., período sustentado também pelo contexto associado ao naufrágio e às cerâmicas. Esse enquadramento liga o material à circulação marítima do Mediterrâneo arcaico e ao transporte naval de metais.
Por que os estudos falam em 80 lingotes se 87 peças apareceram nas campanhas?
Estudos trabalharam com conjuntos numéricos diferentes - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Há uma diferença numérica entre as publicações científicas. O estudo de 2021 registrado pela Universidade de Palermo contabilizou 40 lingotes da primeira recuperação e 47 da segunda, totalizando 87. Portanto, esse trabalho documentou 87 peças nas duas campanhas, e não 80.
Já o trabalho de 2026 descreve 80 lingotes recuperados perto de Gela e seleciona 11 exemplares representativos para a análise estrutural. Porém, as fontes consultadas não explicam a diferença entre 87 e 80, portanto, o número mais recente não deve apagar o registro anterior. Por isso, o artigo mantém os dois números com seus respectivos contextos.
Como a análise de nêutrons examinou o oricalco sem destruir as peças?
Os pesquisadores usaram difração de nêutrons por tempo de voo, método capaz de atravessar o material e investigar sua estrutura interna sem retirar grandes amostras. Assim, a equipe estudou composição de fases, textura, deformações e características microestruturais dos lingotes completos. A vantagem é observar o volume do objeto arqueológico, e não somente sua camada externa preservada.
O artigo publicado na Scientific Reports analisou 11 peças escolhidas como representativas do conjunto. Com isso, a técnica preserva objetos arqueológicos enquanto produz dados sobre o interior do metal, algo especialmente útil quando cortes comprometeriam peças raras. O método também permite comparar diferentes lingotes sem transformar a investigação em uma sequência de cortes destrutivos.
O que a microestrutura revelou sobre a fabricação dos lingotes?
Evidência
O que a análise indica
Microestrutura
Os lingotes não apresentam comportamento estrutural idêntico entre si.
Fundição
Os resultados sugerem controle aproximado das condições térmicas durante o processo.
Os dados mostram que os lingotes não formam um grupo microestrutural perfeitamente uniforme. Por isso, os autores identificaram famílias distintas de peças, sinal de diferenças no processamento ou nas condições enfrentadas pelo metal durante a fabricação. Essas variações aparecem dentro do metal e não dependem apenas da superfície alterada pelo ambiente marinho.
Ao mesmo tempo, a composição de fases sugere que os artesãos controlavam apenas de forma aproximada os parâmetros térmicos da fundição. Isso não permite reconstruir cada oficina, porém revela decisões técnicas preservadas dentro do metal mesmo após séculos no ambiente marinho. Portanto, a microestrutura registra parte da história térmica que a superfície externa sozinha não mostra.
O que esses lingotes contam sobre comércio e metalurgia no Mediterrâneo antigo?
O oricalco de Gela ajuda a investigar a tecnologia do metal e a circulação de materiais no Mediterrâneo arcaico. Um experimento do ISIS Neutron and Muon Source relacionou os lingotes a restos de embarcação e cerâmicas do final do século VI a.C. Por isso, o contexto sustenta a leitura de uma carga comercial antiga, mas não identifica sozinho o porto de origem dos metais.
Estudos anteriores compararam a química das duas recuperações e encontraram forte semelhança entre os conjuntos. Assim, os pesquisadores consideraram provável que as peças integrassem a mesma carga naval, enquanto análises isotópicas buscaram pistas sobre possíveis fontes metálicas. Porém, a procedência exata continua aberta, e o avanço recente está na estrutura interna dos lingotes, não na identificação definitiva de uma oficina.
O que esses lingotes revelam?
Os lingotes de Gela mostram como técnicas modernas conseguem recuperar detalhes de uma tecnologia criada há cerca de 2.600 anos. A análise amplia o entendimento sobre a metalurgia antiga sem exigir a destruição dos objetos. Se essa história chamou sua atenção, acompanhe outras descobertas que usam ciência para revelar como sociedades antigas produziam e transportavam seus materiais.
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