O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), concentra nas mãos decisões capazes de atender, ou frustrar, governo e oposição em meio a uma sequência de pautas represadas no Congresso Nacional.Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobra a votação de propostas de apelo popular, como o fim da escala 6×1, oposicionistas tentam forçá-lo a dar consequência política à crise envolvendo os ministro Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).Alcolumbre, porém, não ocupa posição passiva nesse embate.Como presidente do Senado, ele controla a agenda do plenário, tem influência direta sobre o ritmo das votações e decide se pedidos de impeachment contra ministros do Supremo avançam ou permanecem parados.A maior cobrança do Planalto é pela PEC que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e dá dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está pronto para o plenário, mas Alcolumbre decidiu postergar a análise.Lula já demonstrou incômodo com a demora e passou a cobrar publicamente a votação.A proposta integra um conjunto de pautas que o governo tenta transformar em entregas políticas, ao lado da PEC da Segurança Pública e de outras medidas negociadas anteriormente com os presidentes da Câmara e do Senado.O status dos temas que estão nas mãos de AlcolumbreFim da escala 6×1: aprovada pela CCJ, a PEC aguarda espaço no plenário, cuja pauta é definida pelo presidente do Senado;PEC da Segurança Pública: a proposta ainda depende da conclusão da análise no Senado antes de poder avançar;Pedidos contra Moraes: representações de impeachment continuam acumuladas na Casa e dependem de decisão da Presidência do Senado para tramitar;Reação à crise no STF: a oposição tenta reduzir o poder individual de Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment e pressiona por mudanças no regimento da Casa.Oposição quer impeachment de MoraesDo lado da oposição, a cobrança aumentou com os desdobramentos do caso envolvendo Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.A sessão extraordinária do Supremo de 15 de setembro terminou sem definição sobre a eventual abertura de investigação contra o ministro, depois de um pedido de vista de Flávio Dino.A ausência de uma resposta definitiva do STF levou senadores oposicionistas a deslocarem parte da pressão para Alcolumbre.Entre 9 e 16 de setembro, novos pedidos de impeachment contra Moraes foram protocolados no Senado.Também surgiram representações contra o próprio presidente da Casa pela resistência em dar andamento a processos contra integrantes da Corte.Alcolumbre já deixou claro que não pretende tratar os pedidos contra ministros do Supremo como uma consequência automática da pressão política.Disse a jornalistas que o Senado acumulava 109 pedidos de impeachment contra ministros da Corte e classificou a quantidade como fora da normalidade.3 imagensFechar modal.1 de 3Ministro Edson Fachin e Presidente do Senado Davi AlcolumbreBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 3Lula intensificou diálogo com Alcolumbre para destravar PEC da escala 6x1 antes das eleições3 de 3Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL)Breno Esaki/MetrópolesA oposição, por isso, tenta mexer justamente na principal fonte de poder de Alcolumbre nesse debate.O líder do grupo no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defende mudar o Regimento Interno para permitir que pedidos de impeachment avancem quando reunirem apoio de maioria absoluta dos senadores, sem depender exclusivamente da decisão do presidente da Casa.A disputa também apareceu na condução dos trabalhos do Senado.Alcolumbre não autorizou uma sessão extraordinária pedida pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) para o dia do julgamento de Moraes. Sem a sessão, parlamentares da oposição se reuniram em uma comissão para acompanhar a transmissão da análise feita pelo Supremo.Ao decidir quando pautar a 6×1, até onde levar a PEC da Segurança e o que fazer com pedidos contra Moraes, o presidente da Casa transforma o calendário legislativo em instrumento de poder, e mantém governo e oposição dependentes de suas escolhas.

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Lula intensificou diálogo com Alcolumbre para destravar PEC da escala 6x1 antes das eleições
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Alcolumbre e Flávio Bolsonaro (PL)
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