O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (7/10) ter dificuldade para entender a reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.Desde o resultado da votação do último domingo (4/10), quando o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Bolsa brasileira subiu e as taxas de juros futuros recuaram, em um movimento associado por investidores à expectativa de mudança na condução da política econômica.“Eu tenho alguma dificuldade de entender essa euforia”, afirmou Durigan durante participação no 9º Incorpora Abrainc, evento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias. Leia também BrasilDurigan: casas de apostas movimentavam R$ 600 milhões por dia até proibição BrasilDurigan: patrocinador de Dark Horse recebia dinheiro do crime organizado BrasilDólar fecha em R$ 5 nesta quarta após ata do FED e mercados em baixa Segundo o ministro, a reação dos mercados estaria antecipando os efeitos de uma eventual mudança de governo sem que as propostas econômicas apresentadas pela oposição tenham, até o momento, detalhamento suficiente.Na segunda-feira (5/10), primeiro pregão após o primeiro turno, o Ibovespa subiu 7,70%, superou pela primeira vez os 200 mil pontos e chegou a registrar máxima acima de 209 mil pontos.O dólar caiu abaixo de R$ 5 durante o pregão, enquanto as taxas dos contratos de juros futuros recuaram de forma significativa.A reação dos investidores foi atribuída principalmente à avaliação de que uma eventual vitória de Flávio poderia resultar em uma política fiscal mais restritiva, com redução de despesas, privatizações e medidas para conter o crescimento da dívida pública.Durigan, no entanto, questionou a consistência das promessas apresentadas pela campanha de Flávio. Entre elas está a meta de alcançar um superávit primário equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) já no primeiro ano de governo.Contas públicasA equipe econômica de Flávio defende uma série de medidas para melhorar as contas públicas, entre elas a redução do número de ministérios, revisão de despesas administrativas, combate a supersalários, mudanças na estrutura do Estado e a utilização de ativos da União para ajudar na redução da dívida.Para Durigan, no entanto, as medidas anunciadas até agora não demonstram como seria possível atingir o resultado fiscal prometido. O ministro afirmou que não é possível sustentar uma previsão de superávit dessa magnitude apenas com a venda de ativos e redução de estruturas do governo.“Essa história de vender ativos, dizer que vai privatizar tudo e que vai fazer, no primeiro ano, um superávit de 1,5% do PIB, sem mostrar como isso será feito, e, quando você olha para o passado, vê que nada foi feito nesse sentido. É difícil comprar um pastel de vento em meio a essa euforia”, afirmou.








