Fábia Oliveira

Atriz comparou entregar um celular sem acompanhamento a deixar uma criança sozinha em uma grande avenida; pediatras e psiquiatra explicam

Fábia Oliveira

14/09/2026 12:30

Reprodução/Instagram

Alinne Moraes fez um alerta sobre o acesso de crianças ao celular e à internet ao comparar a falta de supervisão digital a uma situação de risco no mundo real. Mãe de Pedro, de 12 anos, a atriz contou que o filho passou a ter o aparelho recentemente, mas com controle de tempo e acesso restrito a plataformas voltadas ao público infantil. O posicionamento chamou atenção e a coluna Fábia Oliveira ouviu especialistas sobre o assunto.

Para a pediatra Renata Castro, estar fisicamente dentro de casa não significa necessariamente estar protegido no ambiente digital.

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“Os pais normalmente querem saber onde o filho está, com quem está conversando e se aquele ambiente é seguro. Na internet, essa lógica não deveria desaparecer. A criança pode estar no quarto e ter contato com desconhecidos ou conteúdos inadequados para sua maturidade”, disse a médica.
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Alinne Moraes, Mauro Lima e o filho, Pedro, posam juntos
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Após 14 anos, chega ao fim o casamento de Alinne Moraes e Mauro Lima
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Alinne Moraes e Mauro Lima estavam juntos há 14 anos
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Alinne Moraes não beija há meses; ficar sem se relacionar faz bem
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O pediatra Thiago Cast, também ouvido pela coluna, reforça que tempo de tela é apenas uma parte da avaliação. “Precisamos perguntar qual conteúdo a criança está consumindo, em que contexto o aparelho é usado e se existe interação com desconhecidos. Os limites precisam existir antes do problema aparecer, para que a orientação não seja percebida apenas como punição”.
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O impacto também pode chegar à saúde mental
Além dos riscos relacionados à exposição, privacidade e contato com conteúdos inadequados, a forma como redes sociais e aplicativos entram na rotina pode interferir no comportamento e no bem-estar emocional.
Para a psiquiatra Jessica Martani, o problema não está simplesmente na existência da tecnologia, mas no modo como ela passa a ocupar espaços importantes da infância.
“Quando a criança começa a depender do celular para lidar com tédio, frustração ou ansiedade, precisamos observar com atenção. O cérebro infantil ainda está desenvolvendo recursos para controlar impulsos, tolerar espera e regular emoções. Se toda sensação desconfortável é imediatamente interrompida por um estímulo digital, algumas dessas habilidades podem deixar de ser exercitadas da maneira necessária”, explicou.
Segundo Jessica, sinais como irritabilidade intensa quando o aparelho é retirado, dificuldade para interromper o uso, alterações no sono, isolamento e perda de interesse por outras atividades merecem atenção.
“O objetivo não é demonizar a tecnologia, porque ela faz parte da vida dessas crianças. O que precisamos construir é uma relação em que o dispositivo não substitua sono, brincadeira, convivência, movimento e interação presencial. Supervisão também significa ensinar gradualmente aquela criança a reconhecer riscos e desenvolver autonomia”, afirmou a psiquiatra.
Renata destaca ainda que o celular não deve se transformar na principal estratégia para acalmar ou entreter. “A infância precisa de movimento, brincadeira, interação e momentos de tédio também. O objetivo não é criar uma infância sem tecnologia, mas impedir que ela ocupe todos os espaços”.


