Governadores não disputarão novo mandato e escolheram seus sucessores

Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS
Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS · Imagem: Source: www.terra.com.br

18 set 2026 - 04h58

Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS
Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS · Imagem: Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS Foto: Montagem: Daniel Rebello/Ato Press/Estadão Conteúdo e Yuri Murakami/F/2.8 News/Estadão Conteúdo

(atualizado às 07h34)

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Urna eletrônica: TSE aprova envio de forças federais para reforçar segurança em cinco Estados nas eleições · Imagem: Urna eletrônica: TSE aprova envio de forças federais para reforçar segurança em cinco Estados nas eleições Foto: Divulgação/TSE / Estadão

- Por: João Marcello Santos

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Foto: Montagem: Daniel Rebello/Ato Press/Estadão Conteúdo e Yuri Murakami/F/2.8 News/Estadão Conteúdo

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Governadores que encerram o segundo mandato e ficam fora da disputa presidencial em 2026 enfrentam desafios para transformar a avaliação de suas gestões em votos para seus sucessores. No Paraná e no Rio Grande do Sul, Ratinho Junior e Eduardo Leite apostam em nomes de seus grupos políticos, mas os indicados ainda aparecem atrás de adversários nas pesquisas.

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Imagem da matéria: Fora da disputa presidencial, Ratinho e Leite têm dificuldades para fazer sucessor no PR e no RS
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No Paraná, o governador Ratinho Junior, que não pode disputar um terceiro mandato consecutivo, apoia o deputado federal e ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD). No levantamento mais recente da Real Time Big Data, em cenário estimulado, Sérgio Moro (PL) aparece com 35% das intenções de voto, seguido por Sandro Alex, com 25% e Requião Filho (PDT), com 21%.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

No Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) também enfrenta dificuldades para se apresentar como principal alternativa à sucessão de Eduardo Leite. A pesquisa Real Time Big Data, divulgada na última quinta-feira, 10, mostrou Luciano Zucco (PL) com 26%, Juliana Brizola (PDT) com 23% e Gabriel Souza com 9%.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão · Imagem: Source: www.terra.com.br

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Foto: Divulgação/TSE / Estadão

Para o cientista político Emerson Cervi, professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o caso paranaense tem uma particularidade histórica, já que nenhum dos três governadores anteriores que chegaram ao fim do segundo mandato conseguiu eleger um sucessor.

“Ratinho é o primeiro governador que aparece de maneira muito explícita, direta, tentando eleger o seu sucessor”, afirma.

Apesar da aprovação de Ratinho, que chegou a 79% segundo pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto, Cervi avalia que o governador fez uma escolha por um candidato politicamente menos conhecido e mais dependente de sua própria imagem.

“O Ratinho escolheu o candidato menos expressivo do grupo dele, menos expressivo politicamente, para sucedê-lo, que é o Sandro Alex. Isso fez com que o Sandro Alex saísse em terceiro no início da campanha e ainda não conseguisse reverter essa posição”, diz.

A presença de Sérgio Moro é outro fator que dificulta a transferência do capital político de Ratinho para seu candidato. Segundo Cervi, o senador chega à disputa com uma base eleitoral própria, ligada ao lavajatismo, que esteve associada à sua eleição para o Senado em 2022. A filiação ao PL também aproximou Moro do eleitorado bolsonarista, de modo a combinar duas bases políticas que ajudam a explicar sua força na corrida pelo governo do Estado.

“Sérgio Moro foi eleito senador há quatro anos atrás com uma base de votos muito ligada ao lavajatismo, que é muito forte no Paraná. Ele é o principal representante desse movimento. Em 2022, por exemplo, ele não contou com os votos do bolsonarismo paranaense. Agora, Moro aparece como favorito porque ele reúne esses dois movimentos, o lavajatismo e o bolsonarismo” comenta o professor.

A estratégia do governo, segundo Cervi, não passa necessariamente por uma vitória de Sandro Alex no primeiro turno. O objetivo inicial seria levá-lo ao segundo turno e, nesse cenário, aproveitar a possibilidade de receber votos de eleitores de centro e de esquerda que hoje aparecem com Requião Filho.

“Ratinho é o primeiro que tenta, de maneira muito direta, aquilo que eu falei: no primeiro horário eleitoral do candidato Sandro Alex, o primeiro que fala é Ratinho Junior”, afirma o professor.

No RS, desgaste da gestão pesa sobre sucessor

No Rio Grande do Sul, o cenário muda. O atual governador Eduardo Leite convive com uma avaliação dividida de sua administração: segundo a pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto, 42% dos gaúchos aprovam o governo estadual, enquanto 45% desaprovam.

Além disso, 56% afirmam que Leite não merece eleger um sucessor. Para o analista político da Arko Advice, Carlos Borenstein, esses dados ajudam a explicar por que Gabriel Souza ainda encontra dificuldade para transformar o apoio do governador em vantagem eleitoral.

“O governador Eduardo Leite acumula um capital político importante, mas, ao mesmo tempo, carrega desgastes”, afirma.

O vice-governador também enfrenta um problema próprio: o alto grau de desconhecimento. Segundo Borenstein, 72% do eleitorado gaúcho ainda não conhece Gabriel Souza suficientemente.

A candidatura ainda sofreu com a movimentação de Leite no cenário nacional. A tentativa do governador de viabilizar uma candidatura à Presidência, segundo Borenstein, retardou a construção da aliança que daria sustentação a Gabriel. Partidos que integravam a base governista, como PP, União Brasil e Republicanos, acabaram se aproximando de Luciano Zucco.

Para o analista, Gabriel enfrenta ainda uma disputa pelo eleitorado de centro. Juliana Brizola, que se apresenta como candidata de centro-esquerda e conta com o apoio do PT, ocupa parte do mesmo espaço político buscado pelo candidato do MDB.

Nesse cenário, Gabriel tenta conciliar dois movimentos: aproveitar o apoio e o capital político de Eduardo Leite, sem permanecer excessivamente associado aos desgastes de sua administração.

“Gabriel precisa do apoio de Eduardo Leite e da relação com o governador para crescer nas pesquisas, já que Eduardo Leite, em que pese esse desgaste após oito anos, ainda tem capital político. Só que, ao mesmo tempo, existe um desgaste do governo estadual”, afirma.

"Ele precisa ser um candidato de continuidade e mudança ao mesmo tempo", pontua.

A campanha de Gabriel Souza, por sua vez, destaca a relação entre o vice-governador e Leite como um ativo relevante da candidatura. Segundo a equipe, a parceria entre os dois é “maravilhosa”, e Leite sempre foi um aliado. A avaliação é de que o vice-governador tem o papel de ser um parceiro na continuidade do projeto, com a apresentação de novos avanços.

A campanha também afirma que buscou conciliar a relação entre os dois com a exposição de Gabriel nas redes sociais. A participação do candidato em programas de rádio e televisão, além de caminhadas, sabatinas e entrevistas, já teria produzido resultados. Segundo a equipe, Gabriel está mais conhecido do que há um mês.

A equipe defende que Gabriel dará continuidade ao projeto atual do governo, mas com avanços, considerando que os eleitores também exigem propostas diferentes. Entre as prioridades mencionadas estão a utilização de recursos da renegociação da dívida com o Governo Federal para investimentos em educação, a ampliação da tecnologia de irrigação para reduzir os efeitos extremos das alterações climáticas e a qualificação de jovens para o mercado de trabalho.

Fonte: Portal Terra

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