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Tóquio, fim de tarde de 1925. O trem chega a Shibuya.

Na saída da estação, um cão de pelo claro olha cada passageiro que desce. O homem que ele espera nunca mais vai voltar. ⬇️

Hachiko foi um cão da raça akita que voltou por quase uma década à estação de Shibuya, em Tóquio, depois da morte do dono. O tutor era Hidesaburo Ueno, professor da Faculdade de Agricultura da Universidade de Tóquio, que guarda até hoje órgãos do animal. A história virou estátua, filme e ritual anual no Japão.

Quem era Hachiko e como ele conheceu o professor Ueno?

Hachiko nasceu em novembro de 1923, perto de Odate, na província de Akita, no norte do Japão. Em janeiro de 1924, o filhote foi levado para Tóquio para viver com o professor Ueno.

A rotina da dupla era simples. O cachorro acompanhava o tutor até a estação e voltava para buscá-lo no fim do dia. Em maio de 1925, Ueno morreu de repente, durante o trabalho, e não voltou mais para casa.

A partir daí, a vida do cão akita seguiu um roteiro que o Japão inteiro conheceria anos depois. A linha do tempo resume os momentos principais.

🕰️ A vida de Hachiko

1

1923 e 1924 · Chegada 🏡Nasce em Akita e vai morar em Tóquio com o professor Ueno.

2

1925 · A perda 💔Ueno morre, e Hachiko continua voltando à estação de Shibuya.

3

1932 e 1934 · Fama 📰Um jornal nacional conta a história, e a primeira estátua é inaugurada ainda com ele vivo.

4

8 de março de 1935 · Despedida 🌸Hachiko morre aos 11 anos, depois de quase uma década de espera.

Fonte: Universidade de Tóquio

Por que Hachiko continuou indo à estação depois de 1925?

A explicação mais aceita é o vínculo com o tutor, mantido pela rotina de anos. Mesmo sem o tutor, o cão seguia aparecendo em Shibuya no horário de sempre, dia após dia.

A própria Universidade de Tóquio registra uma leitura menos romântica. Segundo o texto da instituição, o professor Takenaka levantou uma hipótese curiosa. Hachiko iria à estação também porque alguém ali o alimentava com espetinhos de yakitori. As duas versões podem conviver, e nenhuma apaga a força da história.

Hachiko espera professor morto por quase uma década e vira estátua, filme e ritual no Japão (Foto:Por RuinDig/Yuki Uchida - , CC BY 4.0, commons.wikimedia)

Como a história do cão ficou famosa em todo o Japão?

A fama veio da imprensa e da insistência de um admirador. Hirokichi Saito, estudioso da raça akita, conheceu o cão em 1928 e passou a divulgar o caso.

A partir daí, a lealdade de Hachiko ganhou jornais, estátuas e cinema. Os marcos principais foram:

- Outubro de 1932: reportagem no jornal Asahi Shimbun torna o cão conhecido no país.

- Abril de 1934: primeira estátua de bronze em Shibuya, com Hachiko ainda vivo.

- 1945: a estátua é derretida durante a Segunda Guerra Mundial.

- 1948: uma nova estátua volta à praça, a mesma que turistas fotografam hoje.

- 1987 e 2009: filmes japonês e americano levam a história ao mundo.

Veja abaixo o trailler dessa linda história:

https://www.youtube.com/watch?v=UFY8vW5IedY

O que a ciência descobriu sobre a morte de Hachiko?

A ciência descobriu que Hachiko tinha duas doenças graves. A autópsia de 1935 apontou dirofilariose, uma infestação de vermes no coração, e um novo exame em 2011 encontrou também câncer.

Segundo a Universidade de Tóquio, o professor Kazuyuki Uchida reexaminou o material e identificou um tumor no pulmão com metástase no coração. Os registros guardados por décadas permitiram esse diagnóstico tardio:

- Mais de 30 vermes foram encontrados no coração do animal.

- Pulmões, coração, esôfago, fígado e baço seguem conservados em formol na universidade.

- O corpo empalhado está exposto no Museu Nacional de Natureza e Ciência, em Tóquio.

A data de 8 de março de 2015 marcou os 80 anos da morte do cão. Nesse dia, a universidade inaugurou uma estátua que celebra o reencontro de Hachiko com o professor Ueno. A cena imagina o momento que a estação nunca viu.

Por que Hachiko ainda emociona pessoas no mundo todo?

Porque a história fala de rotina, afeto e espera, coisas que qualquer tutor reconhece no próprio cachorro. Quase um século depois, a estátua de Shibuya segue como ponto de encontro em Tóquio. Se o seu pet também tem um ritual de espera, conte nos comentários como ele recebe você em casa.