Yevhen Omelianovych Petrushevych (em ucraniano: Петрушевич Євген Омелянович; Busk, 3 de junho de 1863 – Berlim, 29 de agosto de 1940) foi um político e jurista ucraniano. Atuou como Presidente do Conselho Nacional Ucraniano e como Ditador Plenipotenciário (isto é, o líder supremo militar e político em tempo de guerra) da República Popular da Ucrânia Ocidental (RPUO), de 9 de junho de 1919 a 15 de março de 1923.
Biografia
Infância e formação Era filho de Omelian Petrushevych, sacerdote greco-católico, líder sociopolítico e vice-marechal do distrito de Kaminka-Strumylova. Pelo lado paterno, tinha origem bielorrussa. Seu pai destacava-se pelo profundo conhecimento da história e da literatura ucranianas, além de possuir uma ampla formação espiritual e forte consciência nacional, valores que transmitiu aos seus três filhos. Seu tio, Antoniy Petrushevych, também era uma figura relevante, atuando como historiador e sacerdote greco-católico. Iniciou sua educação na escola primária de Busk e, posteriormente, formou-se no Ginásio Acadêmico em 1880. No mesmo ano, ingressou no Seminário Teológico Greco-Católico Geral em Lviv, conciliando os estudos com a Faculdade de Teologia da universidade local. Após dois anos, decidiu abandonar a formação religiosa e, em 1882, matriculou-se na Faculdade de Direito e Administração da Universidade de Lviv (então conhecida como Universidade Francisco I), concluindo o curso em 1887. Durante o período universitário, entre 1883 e 1884, cumpriu serviço militar no 10.o Regimento de Infantaria do Exército Austro-Húngaro, em Przemyśl. Ainda como estudante, destacou-se como uma das principais lideranças do movimento juvenil, chegando a presidir a organização "Irmandade Acadêmica". Após obter o título de doutor em Direito, iniciou sua prática profissional sob a orientação de Stepan Fedak, diretor da Sociedade de Seguros Mútuos "Dnister". Em 1896, estabeleceu-se como advogado em Lviv, abrindo seu próprio escritório na rua Mickiewicz, no 6, fato que foi divulgado na imprensa local da época.
Período em Sokal Na primavera de 1897, Yevhen Petrushevych transferiu seu escritório de advocacia para a cidade de Sokal, iniciando uma fase marcante de sua trajetória pública. Nesse período, destacou-se como um talentoso organizador da vida sociopolítica e cultural-educacional da região, que ficava relativamente distante dos principais centros da Galícia. Em Sokal e arredores, assumiu a liderança da organização educacional e cultural Prosvita em nível distrital, contribuindo ativamente para a criação de uma rede de núcleos locais. Também participou da fundação de uma caixa de poupança distrital e de um internato para crianças, conhecido como "Ajuda Escolar". Ao mesmo tempo, liderou esforços contra o movimento russófilo, que ainda mantinha forte influência na região. Com seu apoio, foi construído a "Casa do Povo" em Sokal, fortalecendo a vida comunitária local. Como advogado, conquistou grande respeito e popularidade entre a população, especialmente por sua atuação firme na defesa dos cidadãos contra abusos das autoridades. Com a fundação do Partido Nacional-Democrático Ucraniano, em 1899, Petrushevych tornou-se um de seus membros mais ativos. Sua relevância política cresceu rapidamente, e, nas primeiras eleições parlamentares realizadas após a adoção de reformas democráticas no Império Austro-Húngaro, em 1907, foi eleito deputado para o Conselho Imperial Austríaco, representando o amplo distrito eleitoral de Sokal–Radekhiv–Brody–Zboriv. Entre os cerca de 30 deputados ucranianos, destacou-se como uma das principais lideranças, ao lado de Kost Levytsky, e posteriormente assumiu a presidência da representação parlamentar ucraniana. Seus discursos no parlamento eram conhecidos pela clareza de objetivos e pela profundidade dos argumentos. Criticava de forma consistente a política do governo austríaco em relação à questão nacional, denunciando a negligência das autoridades em relação às camadas mais pobres da população e defendendo com insistência a implementação de reformas — especialmente a reforma eleitoral para o Sejm regional da Galícia, onde os ucranianos tinham representação bastante limitada. Sua primeira intervenção na Câmara dos Deputados, em 1908, foi dedicada justamente a essa questão.
Atividade no parlamento da Áustria-Hungria Em dezembro de 1905, Yevhen Petrushevych transferiu seu escritório de advocacia para a cidade de Skole, onde consolidou ainda mais sua atuação pública. Em 1910, foi nomeado vice-burgomestre da cidade, ampliando sua influência na administração local. Sua carreira política seguiu em ascensão. Foi eleito deputado ao Parlamento Austríaco nas eleições de 1907 e novamente em 1911, representando um amplo distrito eleitoral que abrangia diversas comunidades rurais da região da Galícia. Paralelamente, em 1910, foi eleito deputado ao Sejm regional da Galícia pelo distrito de Stryi–Skole, integrando o chamado "Clube Ucraniano-Ruteno" no parlamento regional. Logo em sua primeira participação parlamentar, destacou-se ao apresentar um relatório em nome da ala mais radical dos deputados ucranianos durante um intenso debate sobre a reforma da lei eleitoral. Nos anos seguintes, tornou-se uma das principais lideranças do "Clube Ucraniano do Sejm", conduzindo a luta por uma nova legislação eleitoral. Seus esforços contribuíram diretamente para a aprovação de reformas que ampliaram significativamente a representação ucraniana: nas eleições de 1913, o número de deputados ucranianos no Sejm aumentou para 34. Petrushevych não se contentou com esse avanço. Atuando em posições de liderança dentro da comissão responsável pela reforma eleitoral, ao lado de Kost Levytsky, conseguiu ampliar ainda mais a participação ucraniana no parlamento regional, elevando-a para 62 cadeiras. Além disso, após anos de reivindicações, foi aprovada em fevereiro de 1914 a criação de uma universidade ucraniana em Lviv, um marco importante para o desenvolvimento cultural e educacional do povo ucraniano. Durante esse período, também teve papel ativo no Parlamento Austríaco. Em 1916, em meio à Primeira Guerra Mundial, assumiu a liderança da representação política ucraniana no parlamento, sucedendo Kost Levytsky e Yulian Romanchuk. Essa liderança foi consolidada após a publicação de um manifesto imperial que previa a ampliação da autonomia da Galícia, na prática favorecendo a administração polonesa, o que gerou intensos conflitos políticos entre representantes ucranianos e poloneses. Petrushevych respondeu com firmeza a esse cenário, promovendo encontros com figuras influentes do Império Austro-Húngaro e defendendo, tanto em discursos quanto na imprensa, o direito histórico dos ucranianos à autodeterminação. Argumentava que a Galícia era um território etnicamente ucraniano e que seu povo possuía o mesmo direito à formação de um Estado nacional que os demais povos do império. Com base nesses argumentos, reforçados pela participação dos ucranianos na guerra ao lado do Império Austro-Húngaro, especialmente por meio da Legião dos Fuzileiros do Siche Ucranianos, Petrushevych e seus aliados conseguiram aliviar, ainda que parcialmente, as restrições impostas pelas autoridades e pela administração polonesa sobre a população ucraniana. Esse processo resultou em maior participação de ucranianos em cargos administrativos locais e regionais. Entre os avanços desse período, destacam-se a nomeação de Ivan Horbachevsky como ministro da Saúde (1917–1918) e de Yosyp Haninchak como procurador-geral da Áustria. Também foi possível substituir o governador imperial da Galícia, general Diller, conhecido por sua postura pró-polonesa, por Karl von Huyn, considerado mais moderado e aberto às demandas ucranianas. A atuação parlamentar de Petrushevych foi amplamente reconhecida por seus contemporâneos. Kost Levytsky, em suas memórias publicadas em 1937, destacou sua energia e firmeza nos momentos decisivos da luta nacional, descrevendo-o como um dos líderes mais incisivos entre os representantes ucranianos.
Antes da proclamação da RPUO Em fevereiro de 1918, durante as negociações internacionais realizadas em Brest, Yevhen Petrushevych liderou a delegação da Galícia. Embora essa delegação não tenha participado diretamente das discussões principais, conseguiu influenciar a inclusão, em um protocolo secreto do acordo firmado entre as Potências Centrais, a República Popular da Ucrânia e a Rússia bolchevique, de uma cláusula que obrigava a Áustria a conceder autonomia à Galícia até 20 de julho de 1918. No entanto, representantes poloneses conseguiram bloquear a ratificação dos Acordos de Brest no parlamento de Viena. Esses acordos, que ofereciam certa proteção à Galícia contra as pretensões de Varsóvia, representavam, na prática, um passo importante rumo à restauração da estatalidade ucraniana na região. Diante desse cenário, Petrushevych, em colaboração com parlamentares tchecos e eslovacos, elaborou e apresentou ao imperador Carlos I um plano de reestruturação do Império Austro-Húngaro. Sua proposta previa a transformação do império em uma federação de povos livres, com a perspectiva de criação de Estados nacionais em união com a Áustria. Em 16 de outubro de 1918, o imperador divulgou um manifesto que declarava a Áustria como um Estado federativo e reconhecia o direito de seus povos à autodeterminação. Percebendo o iminente colapso da monarquia dos Habsburgos, a liderança política ucraniana da Galícia, sob a direção de Petrushevych, decidiu, em 10 de outubro de 1918, convocar uma assembleia constituinte ucraniana em Lviv, a fim de determinar o futuro da região. O encontro reuniu cerca de 500 representantes, incluindo deputados do Parlamento Imperial, membros dos parlamentos regionais da Galícia e da Bucovina, representantes do clero, de partidos políticos e de diversas organizações. Em 19 de outubro de 1918, essa assembleia proclamou a criação de um Estado independente nos territórios etnicamente ucranianos e elegeu o Conselho Nacional Ucraniano (Ukrainska Natsionalna Rada), presidido por Petrushevych, como órgão responsável pela implementação dessa decisão histórica. Dois dias depois, em 21 de outubro, durante uma reunião com delegados de toda a região realizada na Casa do Povo, em Lviv, e na presença do metropolita Andrey Sheptytsky, Petrushevych apresentou o estatuto do Conselho Nacional Ucraniano e delineou um plano para a transferência pacífica e legal do poder para as mãos dos ucranianos. Com esse objetivo, seguiu posteriormente para Viena, buscando viabilizar politicamente essa transição.
Presidente e Ditador Plenipotenciário da RPUO
A tentativa de transferir o poder na Galícia por meios pacíficos não teve sucesso. Diante da ameaça real de incorporação da região pela Polônia, a liderança do Conselho Nacional Ucraniano, sob a direção de Kost Levytsky, juntamente com o Comitê Militar liderado por Dmytro Vitovsky, organizou em 1o de novembro de 1918 uma insurreição vitoriosa em Lviv e em outras áreas da Galícia e da Bucovina, episódio conhecido como Levante de Novembro. Nesse mesmo dia, foi proclamada a criação do Estado Ucraniano nos antigos territórios austro-húngaros, posteriormente denominado República Popular da Ucrânia Ocidental (RPUO) a partir de 13 de novembro. Poucos dias depois, em 9 de novembro, formou-se o primeiro governo do novo Estado. Enquanto se iniciava a construção das instituições nacionais, a guerra desencadeada pelas forças polonesas, especialmente os intensos combates em Lviv, impediu Yevhen Petrushevych de retornar imediatamente à região. Ele seguiu para Stanislaviv, para onde a liderança da RPUO havia se transferido após a perda de Lviv. Em 3 de janeiro de 1919, presidiu a primeira sessão do Conselho Nacional Ucraniano, na qual foi aprovada a lei sobre a unificação com a República Popular da Ucrânia (RPU). Após a proclamação oficial do Ato de Unificação em Kiev, em 22 de janeiro, passou a integrar o Diretório da Ucrânia. Como presidente do Conselho Nacional, Petrushevych desempenhava, em grande parte, funções representativas e, de acordo com a legislação provisória, não dispunha de plenos poderes para implementar diretamente suas visões sobre política interna e externa. Seu apego ao parlamentarismo e ao constitucionalismo foi, por vezes, criticado por não corresponder às exigências de um país em guerra. Ainda assim, sua experiência política, cultura institucional e habilidade diplomática permitiram-lhe influenciar de forma significativa o curso dos acontecimentos. Sob sua liderança, o Conselho Nacional atuou como um verdadeiro parlamento, caracterizado por um ambiente democrático e de liberdade de expressão, aprovando leis essenciais para a organização política, social e econômica do Estado e evitando conflitos sociais mais graves. No verão de 1919, as forças polonesas, com apoio da França, ocuparam quase toda a Galícia, enquanto a Bucovina já havia sido tomada anteriormente pela Romênia. Diante dessa situação crítica, a liderança da RPUO decidiu concentrar o poder nas mãos de Petrushevych. Em junho de 1919, ele recebeu poderes extraordinários como Ditador Plenipotenciário, isto é, como líder supremo político e militar em tempos de guerra, acumulando as funções de chefe de Estado e de governo. As responsabilidades do executivo foram redistribuídas entre comissários designados para diferentes áreas, como assuntos internos, militares e relações exteriores. Essa decisão foi, em geral, aceita pela sociedade da Galícia, mas gerou críticas por parte da liderança da RPU, que a interpretou como uma medida pouco democrática e potencialmente separatista. Como consequência, Petrushevych foi afastado do Diretório, o que agravou ainda mais suas relações com Symon Petliura. Paralelamente, o governo da RPU criou um ministério específico para assuntos da Galícia, numa tentativa de manter influência sobre a região. No contexto da guerra, surgiram ainda tensões internas e propostas externas. O governo soviético ucraniano, liderado por Khristian Rakovsky, chegou a propor uma aliança militar contra a Polônia, condicionada ao rompimento com a Diretoria, proposta que Petrushevych rejeitou. Em vez disso, aceitou cooperar com Petliura, unindo o Exército Galiciano à força militar da RPU na luta contra os bolcheviques. As estruturas governamentais da RPUO e o Exército Galiciano cruzaram o rio Zbruch e se estabeleceram na região de Kamianets-Podilskyi. Em agosto de 1919, as forças ucranianas unificadas lançaram uma ofensiva na margem direita do Dnieper e chegaram a libertar Kiev por um breve período. No entanto, logo se viram obrigadas a combater em duas frentes, contra os bolcheviques e contra as tropas de Denikin. A situação militar e política deteriorou-se rapidamente. Uma epidemia devastadora de tifo enfraqueceu severamente o Exército Galiciano, levando-o a firmar um armistício com as forças de Denikin para evitar o colapso total. Ao mesmo tempo, diante da falta de confiança mútua, Petliura iniciou negociações separadas com a Polônia. Em novembro de 1919, Kamianets-Podilskyi foi entregue às forças polonesas, enquanto a liderança da RPUO, incluindo Petrushevych, deixou o território ucraniano e seguiu para Viena, passando pela Romênia. Apesar das divergências internas, Petrushevych manteve sua orientação política voltada para o reconhecimento internacional, apostando no apoio das potências da Entente. Sua posição também foi influenciada pela postura do metropolita Andrey Sheptytsky, que se opunha firmemente a qualquer aliança com os bolcheviques. Assim, mesmo diante de circunstâncias extremamente adversas, Petrushevych procurou manter uma linha política baseada na legitimidade internacional e na continuidade da luta pela soberania ucraniana.
Exílio Após ser forçado ao exílio, Yevhen Petrushevych continuou sua luta pela restauração da independência da República Popular da Ucrânia Ocidental no cenário internacional. Em agosto de 1920, reorganizou o governo no exílio, reunindo experientes líderes políticos como Kost Levytsky, Volodymyr Singalevych, Stepan Vytvytsky, Yaroslav Selezinka e Osyp Nazaruk. Esse governo empenhou-se em impedir que a Liga das Nações reconhecesse juridicamente a incorporação da Galícia pela Polônia. Petrushevych enviou delegações ucranianas para importantes negociações internacionais em cidades como Riga e Genebra, buscando apoio para a causa ucraniana. Em fevereiro de 1921, a Liga das Nações reconheceu formalmente o caráter distinto da Galícia e classificou a Polônia como ocupante temporária do território, afirmando que a soberania pertencia, em última instância, às potências da Entente. A organização também recomendou que o Conselho de Embaixadores dessas potências analisasse a questão ucraniana. Com o objetivo de apresentar de forma clara as aspirações dos ucranianos da Galícia, o governo de Petrushevych elaborou um projeto de constituição para uma futura República Ucraniana da Galícia. Inspirado nos modelos das democracias ocidentais, o documento previa amplos direitos e liberdades para todas as nacionalidades da região. Paralelamente, o governo incentivou ações de resistência interna, como o boicote às eleições para o parlamento polonês e à conscrição militar. Em abril de 1922, conseguiu incluir a questão da Galícia na agenda da Conferência Internacional de Gênova, onde liderou pessoalmente a delegação ucraniana. Apesar dos esforços, as discussões sobre o tema foram interrompidas. Foi nesse contexto que ocorreram seus primeiros contatos com representantes da Ucrânia Soviética, especialmente com Khristian Rakovsky, que via com interesse as tensões entre Petrushevych e Symon Petliura. No verão de 1922, novas negociações ocorreram em Viena com o diplomata soviético Yurii Kotsiubynsky, iniciativas que tinham como objetivo enfraquecer a unidade da emigração ucraniana, majoritariamente antissoviética. Ao mesmo tempo, a Polônia, com apoio da França, intensificou sua atuação diplomática para consolidar o controle sobre a Galícia. Em setembro de 1922, o governo polonês adotou medidas destinadas a melhorar sua imagem internacional, como a promessa de autonomia regional, a proposta de criação de uma universidade ucraniana em Lviv e a abertura de negociações com Petrushevych. No entanto, essas iniciativas não se concretizaram na prática. O desfecho ocorreu em 15 de março de 1923, quando o Conselho de Embaixadores da Entente, reunido em Paris, decidiu reconhecer oficialmente a incorporação da Galícia pela Polônia, sem impor condições efetivas. Diante dessa decisão, Petrushevych foi obrigado, em maio de 1923, a dissolver o governo da RPUO no exílio, encerrando suas atividades diplomáticas e desmantelando suas representações no exterior. Com isso, muitos líderes políticos da Galícia retornaram à sua terra natal e passaram a atuar dentro das possibilidades legais disponíveis, integrando-se às estruturas políticas e movimentos existentes sob o domínio polonês. Petrushevych, no entanto, permaneceu no exílio, mantendo-se como uma figura simbólica da luta pela independência ucraniana.
Em Berlim Após o fim das atividades do governo no exílio, Yevhen Petrushevych mudou-se para Berlim, onde continuou sua atuação política por meio de iniciativas diplomáticas e de propaganda em defesa do povo ucraniano. Nesse período, denunciou repetidamente as ações das autoridades polonesas na Galícia, enviando memorandos de protesto à Liga das Nações e buscando manter a questão ucraniana em evidência no cenário internacional. Também editou o jornal Ukrayinskyy prapor e ofereceu apoio moral e político às unidades do Exército Galego internadas na Tchecoslováquia. Durante sua permanência em Berlim, enfrentou crescente isolamento político e sérias dificuldades financeiras, contando com o apoio de algumas figuras ucranianas influentes, como o vigário Petro Verhun, o hetmã Pavlo Skoropadski e o professor Ivan Mirchuk. Nesse contexto de fragilidade, passou a nutrir expectativas quanto a uma possível mudança na política nacional da União Soviética em relação à Ucrânia, especialmente durante o período de "ucranização". Frequentou eventos na embaixada soviética e manteve contatos com o embaixador Mykola Krestinsky. Essa aproximação com o regime soviético foi duramente criticada por setores do movimento nacionalista ucraniano, em especial pela Organização Militar Ucraniana. Em resposta, o jornal de Petrushevych publicou artigos críticos contra essa organização. Em 1925, um grupo de seus apoiadores, liderado por Osyp Dumin, chegou a tentar dividir o movimento liderado por Yevhen Konovalets, criando uma nova organização político-revolucionária, que, no entanto, teve vida curta e rapidamente se dissolveu. A situação foi explorada pela propaganda soviética. Em setembro de 1925, o Politburo do Partido Comunista da Ucrânia decidiu apoiar temporariamente Petrushevych, com o objetivo de utilizá-lo politicamente, incentivando-o a expressar publicamente sua posição em relação ao regime soviético e a novas propostas políticas vinculadas ao chamado “União Nacional Ucraniana”. Entretanto, as ilusões de Petrushevych em relação ao governo soviético se dissiparam no final da década de 1920 e início dos anos 1930, quando se intensificaram as repressões políticas e o terror promovido pelos órgãos de segurança soviéticos. Os anos seguintes de sua vida no exílio foram marcados por grandes dificuldades materiais, embora tenha conseguido sobreviver com o apoio de aliados próximos. Mesmo em idade avançada, manteve-se ativo na vida política da diáspora, colaborando com organizações ucranianas no exterior. Em setembro de 1939, após a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, enviou um memorando de protesto ao governo de Adolf Hitler.
Morte Nos últimos anos de vida, a saúde de Yevhen Petrushevych deteriorou-se significativamente. No verão de 1938, foi noticiado que ele sofria de cálculos renais, condição que agravou ainda mais suas já difíceis circunstâncias no exílio. Faleceu em 29 de agosto de 1940, aos 77 anos de idade, vítima de torturas em uma prisão alemã, no distrito de Hermsdorf, em Berlim. Foi sepultado na capital alemã, em um cemitério próximo à Catedral Católica de Santa Edwiges, com a cerimônia organizada por representantes da comunidade ucraniana no exílio, que posteriormente ergueram um monumento em sua homenagem. Após a independência da Ucrânia, seus restos mortais foram trasladados para sua terra natal. Em 1o de novembro de 2002, Yevhen Petrushevych foi reenterrado no Cemitério Lychakiv, em Lviv, em uma cerimônia que simbolizou o reconhecimento tardio de sua importância histórica para o país.
Vida pessoal Yevhen Petrushevych foi casado com Leokadiia Punitska, filha de um starosta da região de Sokal, além de sua prima e afilhada de seu pai, Omelian Petrushevych. Devido ao grau de parentesco, o casal precisou obter autorização da Igreja para oficializar o casamento. Em 1892, nasceu seu filho, Antin Petrushevych, que seguiu a carreira religiosa como sacerdote.
Homenagens e legado
Após sua morte, a memória de Yevhen Petrushevych passou a ser preservada por meio de diversas homenagens, especialmente na Ucrânia independente. Seu nome foi atribuído a ruas em várias cidades, incluindo Bolekhiv, Brody, Busk, Ivano-Frankivsk, Kalush, Konotop, Ternopil, Stryi e Chortkiv, refletindo o reconhecimento de sua importância histórica. Ao longo das décadas seguintes, sua memória continuou a ser preservada por organizações da diáspora ucraniana. Em 1959, a Associação de Juristas Ucranianos no Exílio, sediada em Toronto, restaurou sua sepultura, instalou um novo monumento e garantiu a manutenção do local por muitos anos. Até 2002, a tumba foi cuidada também pela embaixada da Ucrânia na Alemanha. Em 28 de junho de 1991, na cidade de Busk, seu local de nascimento, foi inaugurada a primeira placa memorial dedicada ao presidente da República Popular da Ucrânia Ocidental, instalada em um edifício público. Alguns anos depois, em 5 de agosto de 1997, o ginásio local passou a levar seu nome, consolidando sua presença na memória educacional da região.
Na cidade de Lviv, uma praça também foi nomeada em sua homenagem. Em 1o de novembro de 2008, novamente em Busk, foi inaugurado o primeiro monumento dedicado a Petrushevych, marcando simbolicamente sua relevância para a história nacional. No mesmo ano, o Banco Nacional da Ucrânia emitiu uma moeda comemorativa em sua honra. Outras iniciativas de memória incluem a instalação de uma placa comemorativa na prefeitura de Chortkiv, lembrando a presença de Petrushevych e do governo da RPUO na cidade. Em 2014, foi redescoberto o túmulo familiar da família Petrushevych no cemitério municipal de Busk, onde estão sepultados seus pais e uma de suas irmãs. Posteriormente, foram realizados esforços para restaurar e consagrar o local, reforçando o reconhecimento histórico e cultural de sua trajetória.
Referências
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