Novo formato deixa celulares dobráveis mais baixos e largos quando fechados, além de favorecer vídeos, leitura e jogos; entenda por que marcas apostam na tendência

Quem acompanha os lançamentos de celulares dobráveis provavelmente percebeu uma mudança no formato dos aparelhos em 2026. Modelos como Galaxy Z Fold 8, Huawei Pura X Max, Xiaomi 18 Fold e iPhone Duo são mais baixos e largos quando fechados, lembrando as proporções de um passaporte ou de um pequeno caderno. Quando abertos, eles revelam telas de aproximadamente 7,6 polegadas com formato mais horizontal, pensado para aproveitar melhor vídeos, fotos, jogos, livros digitais e até dois aplicativos ao mesmo tempo.

O conceito não é exatamente novo. O primeiro Pixel Fold, lançado pelo Google em 2023, já seguia uma proposta parecida e teve seu design inspirado, inclusive, nas proporções de um passaporte. A diferença é que o formato voltou a ganhar força três anos depois, com lançamentos quase simultâneos de algumas das maiores fabricantes de celulares do mundo. Nas linhas a seguir, o TechTudo explica o que é um celular “passaporte”, quais modelos adotam o formato, por que as marcas estão investindo nessa proposta e se a tendência deve continuar nos próximos anos.

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Galaxy Z Fold 8 tem formato passaporte, com tela externa mais compacta e tela interna "de tablet" — Foto: Ana Loubak/TechTudo

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iPhone Duo, Galaxy Z Fold 8 e mais: por que o celular passaporte virou moda?

O TechTudo reuniu as principais informações sobre a nova tendência dos celulares dobráveis. No índice abaixo, confira os tópicos abordados neste guia.

- O que o dobrável “passaporte” tem de diferente?

- Quais são os principais celulares passaporte?

- 1. Huawei Pura X Max

- 2. Galaxy Z Fold 8

- 3. Xiaomi 18 Fold

- 4. iPhone Duo

- Como o formato surgiu?

- Por que as marcas estão apostando nesse tipo de celular?

- O público está aceitando o novo formato?

- Afinal, o celular passaporte veio para ficar?

O que o dobrável “passaporte” tem de diferente?

“Passaporte” não é o nome oficial de uma categoria de smartphone. O termo passou a ser usado para identificar celulares dobráveis do tipo livro que são mais baixos e largos quando fechados, em vez de reproduzir o formato comprido encontrado na maioria dos smartphones tradicionais. Essa diferença muda principalmente a proporção das telas.

Em um dobrável convencional, como o Galaxy Z Fold 8 Ultra, a fabricante normalmente tenta fazer com que a tela externa se comporte como a de um celular comum. Por isso, o aparelho tende a ser mais alto quando fechado. Ao abri-lo, porém, a tela interna acaba ficando mais próxima de um quadrado.

Nos modelos passaporte, a lógica é diferente: o celular perde altura e ganha largura quando está fechado. Como consequência, a tela interna também fica mais larga quando o smartphone é aberto.

Galaxy Z Fold 8 (à frente) tem tela mais larga e baixa que a do Galaxy Z Fold 8 Ultra (atrás), com formato de livro tradicional — Foto: Ana Letícia Loubak/TechTudo

O Galaxy Z Fold 8 ajuda a visualizar essa diferença, já que a tela externa tem 5,5 polegadas e proporção 10:16, enquanto o painel interno chega a 7,6 polegadas com formato 4:3. O aparelho também pesa 201 gramas e mede apenas 4,5 mm de espessura quando aberto. A Samsung apresenta o modelo como uma opção voltada especialmente ao consumo de vídeos, jogos, leitura e navegação.

O formato 4:3 também combina com fotografias feitas por grande parte dos celulares e favorece a visualização de documentos, páginas da web e livros. Vídeos em 16:9 ainda exibem barras pretas, mas a área útil tende a ser maior do que em dobráveis com telas internas muito quadradas.

Tela externa do Galaxy Z Fold 8 — Foto: Ana Loubak/TechTudo

Outra vantagem é a portabilidade. Como o aparelho fechado é mais baixo, ele ocupa menos espaço no bolso e pode facilitar o uso com apenas uma mão. É uma forma de oferecer uma tela próxima à de um pequeno tablet sem obrigar o usuário a carregar um celular muito comprido.

O formato, no entanto, também tem as suas desvantagens. A tela externa mais baixa mostra menos conteúdo na vertical, o que significa visualizar menos mensagens, e-mails ou publicações de redes sociais antes de precisar rolar a página. O teclado também ocupa uma parcela maior da tela, característica que pode incomodar quem utiliza o aparelho fechado na maior parte do tempo.

Quais são os principais celulares passaporte?

Huawei, Samsung, Xiaomi e Apple apresentaram celulares mais baixos e largos em um intervalo de poucos meses em 2026. Apesar da proposta semelhante, os aparelhos têm diferenças importantes de tamanho, peso, preço e disponibilidade.

1. Huawei Pura X Max

O Huawei Pura X Max foi colocado à venda na China em abril e é um dos exemplos mais extremos da nova tendência. Fechado, o aparelho mede 120 mm de altura por 85 mm de largura e tem 11,2 mm de espessura. O peso é de aproximadamente 229 gramas.

A tela externa OLED tem 5,4 polegadas, enquanto o painel dobrável chega a 7,7 polegadas. Os dois oferecem taxa de atualização adaptativa de até 120 Hz. O modelo também traz chip Kirin 9030 Pro, bateria de 5.300 mAh e câmera principal de 50 MP. Na China, o preço começa em 10.999 yuans na versão com 256 GB de armazenamento. Não há lançamento oficial do Pura X Max no Brasil.

Huawei Pura X Max combina corpo mais baixo e largo com tela interna de 7,7 polegadas — Foto: Reprodução/Huawei

A recepção inicial foi positiva no mercado chinês. Segundo dados da Counterpoint Research, nas cinco primeiras semanas o Pura X Max vendeu 29% mais unidades do que o Mate X7 no mesmo período após o lançamento e superou também outros dobráveis recentes da Huawei. O levantamento indica que existe interesse por telas internas mais largas, embora os números se refiram apenas ao mercado chinês e ao início das vendas.

2. Galaxy Z Fold 8

A Samsung levou o formato ao mercado brasileiro com o Galaxy Z Fold 8. O celular tem tela externa de 5,5 polegadas e painel interno de 7,6 polegadas, com proporção 4:3. O corpo mais baixo e largo é acompanhado pelo peso de 201 gramas, o que faz dele o Galaxy Z Fold mais leve já lançado pela fabricante. No Brasil, o preço sugerido de lançamento foi de R$ 12.599 para a versão com 256 GB de armazenamento, e de R$ 14.199 para a opção de 512 GB.

O modelo também apresentou um primeiro sinal positivo de aceitação entre os brasileiros. De acordo com a Samsung, a pré-venda da geração Galaxy Z8 cresceu 21% em relação à anterior. Dentro desse período, o Galaxy Z Fold 8 sozinho representou 50% das unidades comercializadas entre Fold 8, Fold 8 Ultra e Flip 8.

Veja nossas primeiras impressões sobre o Galaxy Z Fold 8 no vídeo abaixo 👇

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3. Xiaomi 18 Fold

O Xiaomi 18 Fold chegou ao mercado chinês em setembro com uma proposta semelhante. A tela externa tem 5,38 polegadas, enquanto a interna tem 7,58 polegadas. O modelo pesa 219 gramas e mede 10,68 mm de espessura fechado.

Entre os destaques estão o chip XRing O3, desenvolvido pela Xiaomi, bateria de 6.000 mAh e conjunto de câmeras desenvolvido em parceria com a Leica, com sensor principal de 200 MP. O preço parte de 10.999 yuans na China. Até o momento, a Xiaomi não anunciou o lançamento oficial do 18 Fold no Brasil.

Xiaomi 18 Fold é apresentado na IFA 2026 — Foto: Tainah Tavares/TechTudo

Os primeiros números também chamaram atenção. Dados compartilhados pela Xiaomi apontam crescimento de 310% nas vendas iniciais em relação ao dobrável grande da geração anterior. Já uma estimativa do monitor de mercado chinês RD Observation, repercutida pelo site IT Home, calculou quase 80 mil unidades comercializadas nos primeiros sete dias.

4. iPhone Duo

A Apple entrou oficialmente no mercado de celulares dobráveis em setembro com o iPhone Duo. Com formato passaporte, o aparelho tem tela externa Super Retina XDR de 5,4 polegadas e painel interno de 7,6 polegadas. Segundo a empresa, as duas telas usam a mesma proporção. Isso permite que aplicativos e conteúdos mudem de tamanho de forma proporcional quando o usuário abre o celular, reduzindo alterações bruscas na interface entre a tela externa e a interna.

O celular também traz chip A20 Pro, Touch ID integrado ao botão lateral, suporte ao Apple Pencil com USB-C e proteção IP68 contra água e poeira. A tela interna utiliza um acabamento nano-texture desenvolvido para diminuir reflexos e reduzir a percepção do vinco.

No Brasil, o iPhone Duo tem preço sugerido a partir de R$ 21.999, com opções de 256 GB, 512 GB, 1 TB e 2 TB. Porém, há uma diferença importante em relação aos outros aparelhos desta lista: em 23 de setembro de 2026, ele ainda não está disponível para compra. A pré-venda começa em 16 de outubro, enquanto as entregas estão previstas para 23 de outubro.

Uma pesquisa da Evercore ISI com quase 4 mil consumidores dos Estados Unidos apontou que 14% dos entrevistados que pretendiam comprar um novo iPhone consideravam adquirir o Duo. O resultado representa intenção de compra, e não vendas efetivas, mas funciona como um primeiro indicador de interesse pelo dobrável da Apple.

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Como o formato passaporte surgiu?

Apesar de Huawei, Samsung, Xiaomi e Apple terem colocado o formato em evidência em 2026, a ideia apareceu anos antes. O primeiro Google Pixel Fold, lançado em 2023, já adotava um corpo mais baixo e largo.

A inspiração em um passaporte não é apenas uma comparação feita posteriormente. Durante o desenvolvimento do celular, designers do Google observaram justamente as proporções de um passaporte fechado e aberto.

Primeiro Google Pixel Fold, lançado em 2023, já apostava em proporções mais baixas e largas inspiradas em um passaporte — Foto: Divulgação/Google

Segundo a empresa, a equipe também estudou livros, papéis e diferentes tipos de dobradiça até chegar ao formato final. O primeiro Pixel Fold combinava essa estrutura com uma tela interna de 7,6 polegadas. Curiosamente, o próprio Google abandonou essa proporção na geração seguinte.

Durante o desenvolvimento do Pixel 9 Pro Fold, a empresa percebeu que muitos donos do Pixel Fold original utilizavam o aparelho fechado durante boa parte do tempo. A equipe passou então a seguir uma filosofia chamada de “phone first”, ou “celular primeiro”, tentando fazer com que a tela externa se comportasse como a de um smartphone convencional. O Pixel 9 Pro Fold adotou uma tela externa com proporção 20:9, semelhante à do Pixel 9 Pro, ficando mais alto e estreito do que seu antecessor.
Por que as marcas estão apostando nesse formato?
Um dos motivos está na evolução do próprio hardware dos dobráveis. Nas primeiras gerações, reduzir peso e espessura já era um grande desafio. A dobradiça, a bateria dividida, a tela flexível e a necessidade de duas telas deixavam esses celulares consideravelmente mais pesados e grossos que modelos tradicionais.
Com componentes menores e estruturas mais resistentes, as fabricantes ganharam espaço para experimentar novas proporções. O Galaxy Z Fold 8, por exemplo, pesa 201 gramas, apesar de ter duas telas e uma dobradiça. O Xiaomi 18 Fold fica em 219 gramas, enquanto o Huawei Pura X Max pesa cerca de 229 gramas.
Galaxy Z Fold 8 é o dobrável mais leve da Samsung — Foto: Ana Loubak/TechTudo
Outro motivo é o aproveitamento da tela interna. Um celular mais largo quando fechado também fica mais largo quando é aberto. Isso favorece principalmente o consumo de vídeos, fotos, leitura, jogos e visualização de documentos.
O Huawei Pura X Max, por exemplo, é divulgado pela fabricante com demonstrações de vídeos, livros digitais, redes sociais, apresentações e planilhas na tela interna de 7,7 polegadas. A Samsung também posiciona o Galaxy Z Fold 8 como um aparelho voltado ao consumo de conteúdo.
Nesse sentido, o software também evoluiu. Aplicativos para telas grandes passaram a oferecer interfaces divididas em duas colunas, menus laterais e recursos de multitarefa. O próprio Google incentiva desenvolvedores a adaptar programas para diferentes tamanhos de tela em tablets e dobráveis.
Tela interna do Galaxy Z Fold 8 favorece para consumo de conteúdos — Foto: Ana Loubak/TechTudo
Na prática, isso reduz um dos problemas enfrentados pelo primeiro Pixel Fold: ter uma tela grande não ajuda muito quando o aplicativo simplesmente estica a mesma interface usada em um celular pequeno. Há ainda uma razão comercial: dobráveis do tipo livro são aparelhos caros e ocupam a parte premium do mercado, onde as fabricantes conseguem trabalhar com preços e margens maiores.
A Counterpoint Research estima que modelos do tipo livro devem representar aproximadamente 65% das vendas mundiais de celulares dobráveis em 2026, contra 52% em 2025. A consultoria aponta que fabricantes Android estão priorizando essa categoria em busca de maior valor médio de venda, rentabilidade e usos ligados à produtividade.
É importante, porém, não confundir as categorias. A projeção de 65% considera todos os dobráveis do tipo livro, e não somente celulares com formato passaporte. O dado mostra que o segmento no qual esses aparelhos estão inseridos está ganhando importância, mas não significa que 65% dos dobráveis vendidos tenham proporções baixas e largas.
É possível assistir a filmes direto na tela externa do Galaxy Z Fold 8 — Foto: Ana Loubak/TechTudo
O público está aceitando os celulares passaporte?
Ainda é cedo para afirmar que o formato passaporte é o preferido dos consumidores, mas os primeiros resultados são positivos em diferentes mercados. Na China, a Counterpoint identificou forte procura pelo Huawei Pura X Max nas primeiras semanas de venda. O Xiaomi 18 Fold também superou o desempenho inicial dos dobráveis anteriores da fabricante, segundo dados divulgados por executivos da companhia e estimativas de mercado.
No Brasil, a Samsung informou que o Galaxy Z Fold 8 respondeu por metade das vendas da nova família Galaxy Z durante parte do período de pré-venda. Já o iPhone Duo ainda não pode ser avaliado pelas vendas, pois chega às lojas somente em outubro. Além da pesquisa da Evercore, a consultoria TrendForce estima aproximadamente 5 milhões de unidades enviadas em 2026, número que daria à Apple cerca de 24,8% do mercado mundial de celulares dobráveis no período.
Xiaomi 18 Fold chama atenção pelo corpo fino mesmo com a estrutura e a tela dobráveis — Foto: Tainah Tavares/TechTudo
A projeção, contudo, não representa vendas realizadas. O resultado poderá variar de acordo com fatores como preço, disponibilidade de estoque e interesse dos consumidores após a chegada do aparelho às lojas.
Também não existe unanimidade sobre as proporções. Usuários que passam mais tempo com o dobrável fechado podem preferir uma tela externa alta, semelhante à de um smartphone convencional. Já pessoas que abrem o aparelho com frequência para assistir, ler ou trabalhar tendem a tirar maior proveito da tela larga.
Tela interna do Galaxy Z Fold 8 na vertical — Foto: Ana Loubak/TechTudo
Afinal, o formato passaporte veio para ficar?
Os lançamentos de 2026 indicam que o formato passaporte deve continuar presente no mercado, mas isso não significa que ele substituirá todos os outros tipos de celular dobrável. Hoje, cada formato resolve um problema diferente.
Os modelos do tipo flip, como Galaxy Z Flip e Motorola Razr, priorizam portabilidade. Eles dobram um smartphone convencional ao meio para ocupar menos espaço no bolso, mas mantêm praticamente o mesmo tamanho de tela quando abertos.
Modelos do tipo concha, como o Galaxy Z Flip, têm foco em portabilidade — Foto: Mariana Saguias/TechTudo
Os folds tradicionais fazem outra escolha. Fechados, tentam funcionar como um celular normal. Ao abrir o aparelho, o usuário recebe uma tela maior para multitarefa, leitura, jogos e vídeos.
Modelos do tipo livro tradicional, como o Motorola Razr Fold, se assemelham a um celular normal quando fechado e têm tela "quadrada" quando abertos — Foto: Ana Loubak/TechTudo
Já o passaporte tenta ocupar um espaço intermediário. Ele é menor na vertical quando fechado e oferece uma tela interna mais larga quando aberto. Isso pode tornar vídeos, fotos e leitura mais agradáveis, além de deixar o celular mais compacto no bolso.
Galaxy Z Fold 8 tem dobradiça de Titanium Flex — Foto: Ana Loubak/TechTudo
A principal limitação está justamente na tela externa. Por ser baixa, ela pode mostrar menos mensagens, e-mails e publicações de redes sociais ao mesmo tempo. O teclado também ocupa proporcionalmente mais espaço e alguns aplicativos podem exigir adaptações para aproveitar corretamente a proporção diferente. Preço também continua sendo uma barreira. O Galaxy Z Fold 8 chegou ao Brasil por R$ 12.599, enquanto o iPhone Duo parte de R$ 21.999.
Além disso, os dobráveis continuam sendo uma categoria pequena quando comparados aos celulares tradicionais. A TrendForce projeta cerca de 20,2 milhões de smartphones dobráveis enviados mundialmente em 2026, enquanto estimativas citadas pela Reuters colocam a categoria abaixo de 3% das vendas globais de smartphones. Por isso, o crescimento do formato passaporte não significa que os celulares convencionais estejam próximos de desaparecer. O movimento mostra, na verdade, que as fabricantes continuam buscando uma razão mais clara para o consumidor escolher um dobrável.
Com informações de TechTudo (1, 2, 3), Google, Huawei, Samsung, Apple, Counterpoint Research, TrendForce, Reuters e IT Home
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