Jihad sexual refere-se à prática alegada de mulheres simpáticas ao extremismo jihadista viajarem para zonas de guerra como a Síria e se oferecerem voluntariamente para serem “casadas” com militantes jihadistas, muitas vezes repetidamente e em casamentos temporários, a fim de servir em funções de conforto sexual para ajudar a elevar o moral dos combatentes. A divulgação pública surgiu em 2013, e a veracidade da prática tornou-se tema de um debate maior em setembro de 2013, depois que o Ministro do Interior da Tunísia fez uma declaração pública descrevendo-a como um problema significativo. Críticos rejeitaram as alegações de “jihad sexual” como infundadas e propaganda política.

Alegações As alegações dessa prática derivam da propaganda do governo tunisiano em seu esforço de guerra contra o terrorismo ligado à Al-Qaeda na região montanhosa de Jebel ech Chambi na fronteira com a Argélia. A coalizão governante tunisiana alegou, em 2013, que a prática começou com garotas tunisianas simpáticas ao movimento jihadista ali, e depois se espalhou com tunisianas oferecendo conforto a jihadistas sírios. Em abril de 2013, o grão-mufti da Tunísia, Othman Battikh, afirmou que garotas tunisianas estavam visitando a Síria para participar de uma jihad sexual. Em julho de 2013, o presidente Moncef Marzouki o substituiu como mufti, e Battikh alegou que foi afastado como punição por ter se manifestado. Em julho de 2013, numa página do Facebook que afirmava ser ligada à Irmandade Muçulmana, um comentarista promoveu a “jihad sexual”. A página foi considerada uma “farsa”, e um importante apoiador da Irmandade a chamou de “campanha de difamação”. Em 19 de setembro de 2013, Lotfi ben Jeddou, então Ministro do Interior da Tunísia, declarou na Assembleia Nacional Constituinte que mulheres tunisianas viajando para a Síria para “jihad sexual” estavam fazendo sexo com 20, 30 e até 100 rebeldes, e que algumas haviam retornado grávidas. Em 6 de outubro de 2013, um funcionário tunisiano minimizou essa afirmação prévia, dizendo que no máximo 15 tunisianas viajaram à Síria, embora algumas tenham sido forçadas a fazer sexo com vários militantes islamistas. A emissora de televisão tunisiana Nofal Al-Wartani exibiu uma entrevista com um suposto jihadista tunisiano, Abu Qusay, que teria retornado da Síria, e que disse que as histórias sobre “Jihad al-Nikah” não eram apenas boato, mas reais, afirmando ter vivenciado isso em primeira mão. Ele também falou sobre as nacionalidades das garotas que viajam à Síria para participar disso enquanto também lutavam como atiradoras durante o dia. Ele foi preso pelos serviços de segurança tunisianos, que investigaram e concluíram que ele nunca estivera na Síria, e a Al-Arabiya informou que suas alegações eram falsas. Segundo o tabloide britânico Daily Mirror, houve relatos em 2014 de que combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) disseram a famílias para “entregar [suas] filhas para sexo”. O jornal afirmou que “panfletos nas cidades capturadas de Mossul e Tikrit [no Iraque] dizem que as mulheres — virgens ou não — devem se juntar à jihad (...) e se purificar dormindo com militantes. As que se recusarem a fazê-lo, afirma-se, estarão violando a vontade de Deus e serão espancadas ou mortas”. O The Malaysian Insider noticiou, em agosto de 2014, que mulheres sunitas da Austrália, do Reino Unido e da Malásia haviam se juntado voluntariamente ao EIIL como “mulheres de conforto”. Em junho de 2014, o diário egípcio Al-Masry Al-Youm mencionou que um programa de televisão do Kuwait, Kuwait wa al-Nas, havia relatado que ativistas nas redes sociais espalhavam notícias de que o EIIL colocara cartazes conclamando o povo de Mossul a entregar suas meninas solteiras para participar da “jihad do casamento”. A declaração não foi verificada de forma independente nem pelo Al-Masry Al-Youm nem pelo Kuwait wa al-Nas. Em dezembro de 2014, o Ministério de Direitos Humanos do Iraque anunciou que um membro do EIIL havia matado pelo menos 150 mulheres em Faluja, incluindo gestantes, que se recusaram a participar do que o governo iraquiano chamou de jihad sexual. Não surgiram imagens do massacre, e ninguém conseguiu verificá-lo de forma independente. A France 24 constatou que a foto usada para ilustrar a história era falsa, originária de um contexto líbio não relacionado do ano anterior. Em agosto de 2015, um porta-voz do Partido Democrático do Curdistão afirmou que o EIIL executou 19 mulheres que se recusaram a participar da “jihad sexual”.

Ceticismo Em setembro de 2013, David Kenner, na Foreign Policy, escreveu que não há evidências para as alegações do governo tunisiano e de outros quanto à existência de “jihad sexual”. Em 7 de outubro de 2013, a revista alemã Der Spiegel relatou que a “jihad sexual” para a Síria foi “uma elaborada campanha de desinformação do governo sírio para desviar a atenção internacional de seus próprios crimes”. Hilmi M. Zawati, jurista de direito penal internacional e de direitos humanos, argumenta que a fatwa foi fabricada e amplamente disseminada pelo governo sírio e seus aliados com o objetivo de manchar e estigmatizar os rebeldes jihadistas entre a comunidade conservadora na Síria. Raymond Ibrahim, do Middle East Forum, escreveu um artigo para a FrontPage Magazine, republicado como artigo de opinião no Algemeiner Journal, no qual alegou que a Foreign Policy e outras fontes ocidentais estavam deliberadamente encobrindo a verdadeira história da jihad sexual, pois muitos casos de vítimas teriam sido relatados em múltiplas reportagens e várias voluntárias da jihad sexual teriam dado entrevistas.

Referências