'Nada tenho a temer', diz André Mendonça

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, disse ao blog na tarde desta quinta-feira (17) que sabia que "viriam represálias" e que "nada tem a temer":
"Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim. Conforme ensina Schopenhauer, dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante. No entanto, nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade".
A declaração do ministro acontece em meio à crise no Supremo e a disputa pelo caso Master.
A semana foi marcada por bate-bocas entre ministros, divergências sobre a condução de investigações e novos atritos públicos envolvendo integrantes do tribunal.
Nesta quinta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tomou duas decisões em meio à escalada da crise interna na Corte:
- cancelou uma sessão extraordinária do plenário;
- retirou de pauta o julgamento que analisaria a atuação do ministro André Mendonça em apurações relacionadas ao Banco Master.
O julgamento sobre a atuação de Mendonça estava previsto para ocorrer em 23 de setembro. A sessão havia sido marcada por Fachin após o presidente do STF decidir que a análise do caso de Mendonça seguiria separada da discussão envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
A decisão de retirar o caso da pauta ocorre dois dias depois de uma sessão tumultuada do Supremo.
Na terça (15), ministros discutiram a forma de tramitação dos procedimentos ligados à crise do caso Master, mas o julgamento acabou interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Ministro André Mendonça em sessão do STF sobre caso Master - 15/09/2026 — Foto: Alejandro Zambrana/STF


