O sarilumab (comercializado sob o nome Kevzara) é um anticorpo monoclonal humano pertencente à classe dos inibidores da interleucina 6 (IL-6). Desenvolvido através de tecnologia de ADN recombinante, este fármaco atua ligando-se especificamente aos recetores solúveis e membranares da IL-6 (sIL-6R e mIL-6R), bloqueando assim a cascata de sinalização pró-inflamatória mediada por esta citocina. A IL-6 desempenha um papel central na patogénese de diversas doenças inflamatórias crónicas, contribuindo para a ativação de linfócitos T, indução de secreção de imunoglobulinas por células B e a produção hepática de proteínas de fase aguda, como a proteína C reativa (PCR). Ao antagonizar esta via, o sarilumab reduz eficazmente a inflamação sistémica e articular, retardando a progressão de danos estruturais nos tecidos afetados. Na prática clínica, o sarilumab é indicado principalmente para o tratamento da artrite reumatoide (AR) moderada a grave em adultos que apresentaram uma resposta inadequada ou intolerância a um ou mais fármacos modificadores do curso da doença (DMARDs), como o metotrexato. A sua administração é feita por via subcutânea, geralmente quinzenalmente, e pode ser utilizado em monoterapia ou em combinação com outros agentes não biológicos. Além da AR, a sua utilização foi expandida para o tratamento da polimialgia reumática, demonstrando eficácia na redução de recaídas em doentes dependentes de corticosteroides. Como qualquer agente imunomodulador, o seu uso exige monitorização rigorosa, devido ao risco aumentado de infeções graves, neutropenia, trombocitopenia e alterações no perfil lipídico, além do potencial de perfuração gastrointestinal em doentes com histórico de diverticulite.

Referências