Clóvis Garcia (Taquaritinga, São Paulo, 1921 - São Paulo, São Paulo, 2012). Foi crítico, cenógrafo, figurinista, ator e professor universitário brasileiro. Esteve envolvido em diversas áreas do teatro, tanto as teóricas quanto as práticas desde os anos 1950. Sua contribuição é reconhecida como crítico pioneiro voltado às atividades do teatro infantil. Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP).

Biografia Filho de Pedro Garcia, que era sócio-proprietário de uma fazenda de café, e de Isolina Mattos Garcia, Clóvis nasce em Taquaritinga, São Paulo, e lá mora até 1933, então com doze anos. Aos quatro anos de idade Clóvis já frequentava o cinema. Os filmes eram exibidos no Teatro Municipal de sua cidade. Aos 11 anos, em 1932, Clóvis fugiu de casa duas vezes e foi para São Paulo para participar da Revolução Constitucionalista de 1932. Queria ser mensageiro:

Em 1934 começou o curso secundário no Colégio Atheneu Paulista, em Campinas, e se formou em 1935. Aos 15 anos foi para São Paulo, fez o curso pré jurídico na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) em 1936-1937. Fez o vestibular em 1939 para dois cursos: Direito no Largo de São Francisco da USP e Filosofia na São Bento, que hoje é a PUC. Fez um ano do curso de Filosofia, e logo abandonou, pois fazia, na mesma época, o CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) e à noite trabalhava como revisor no correio paulistano, onde o pai era correspondente. Durante sua formação, Clóvis trabalhou em um jornal católico, que se chamava Legionário do qual se desligou ao notar que o periódico começava a adotar uma orientação política de direita. Integrou a grande campanha contra o Eixo, em 1942, que pedia para que o Brasil entrasse na guerra. Em 1941 vira aspirante oficial da reserva, e em 1943 é promovido a segundo tenente R/2. Em 1942 se forma no bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Participou da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Itália, em 1943, e foi promovido a tenente. Se apresentou em 02 de julho de 1944, como voluntário. Aos 23 anos, em Pindamonhangaba, participou do treinamento para pracinhas.

Esteve na linha de frente em 15 de setembro de 1944. Em 26 de novembro foi ferido, mas voltou pro campo de batalha pois não queria deixar a guerra. Participou da tomada da Divisão Alemã e da Campanha da Primavera. Sua participação na Força Expedicionária Brasileira (FEB) ficou registrada nos capítulos Os primeiros ataques a Monte Castelo e O serviço médico da FEB do livro Depoimentos de oficiais da reserva sobre a FEB. Essas foram suas primeiras produções literárias, que contribuíram para torná-lo reconhecido como escritor. Em 1945 volta da guerra, fica em Caçapava e depois retorna para São Paulo. Na época, seu pai morre de pneumonia e Clóvis leva a família para a capital de São Paulo. Estava três anos atrasado na faculdade com relação a sua turma. Prestou concurso e foi trabalhar como escriturário do Instituto de Pesquisa de São Paulo (IPESP), logo passou a ser procurador e depois presidente. Enquanto trabalhava no IPESP, construiu núcleos habitacionais, como o da Areia Branca, em Santos, núcleo esse que, na gestão seguinte, recebeu o nome de Clóvis. Criou o Hospital do Servidor e financiou cerca de 400 obras do Estado.

Formação Formou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em 1942. Após sua formação, fez um curso de cenografia, em 1954, pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Carreira

Teatro Foi por meio da Faculdade de Direito que sua paixão pelo teatro floresceu:

O primeiro personagem de Clóvis foi um menino recitando. Fez A Dama das Camélias. Fez Peter Pan, direção de Júlio de Gouvea e estreia em 1949. Clóvis fez o papel do pai de Wendy. Foi sua primeira estreia oficial.

Foi diretor de um grupo amador no TBC. Em 1949 estreava a peça A noite de 16 de janeiro, de Ayn Rand. Após a estreia, foi convidado pela TBC para outra peça: Arsênico e Alfazema, de direção de Adolfo Celi, que aconteceu também em 1949 e teve a participação de Cacilda Becker e Madalena Nicol. Clóvis interpretou o Sargento Brophy. Com a profissionalização do TBC, Clóvis percebeu a dificuldade de conciliar o teatro profissional com a sua carreira de procurador. Por achar que não era bom ator, não quis se profissionalizar e saiu da Companhia. Fez ainda uma telenovela chamada A Grande Mentira, na Rede Globo. Depois, dirigiu a peça: O Boi e o Burro, a caminho de Belém, de Maria Clara Machado, na qual havia crianças atuando, e que Clóvis mostrou ter uma opinião contrária:

Dirigiu ainda: A Noite será como o dia (1952); Um menino nos foi dado (1952), ambas as peças de Marcos Barbosa. Dirigiu também o Grupo Operário do Ipiranga, na peça Quem casa quer casa (1957) de Martins Pena. Fundou, com Eny Autran e Evaristo Ribeiro o Grupo de Teatro Amador (GTA) em 1950 e a Federação Paulista de Amadores Teatrais. A estreia do GTA foi no mesmo ano, no Teatro Municipal de São Paulo com a peça Está lá fora o Inspetor, de John Boynton Priestley. Atuou em Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, de direção de Adolfo Celi, pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em 1949. Ajudou a fundar a revista do Teatro Brasileiro em 1955. Depois fizeram a peça Pantomima Trágica de Guilherme de Figueiredo, com atuação de Eny Autran e Ítalo Rossi e direção de Evaristo Ribeiro. O GTA descobriu muito atores, como Carlos Zara e Rubens de Falco. Por questões de economia, Clóvis foi dispensando do TBC e a seção de crítica foi cortada. Sua atuação como crítico também se destacou na TV Cultura, no programa Teatro Aberto, onde coordenou debates em 21 episódios semanais. Possui mais de 360 críticas de teatro adulto e infantil publicadas na revista O Cruzeiro. 40 críticas de teatro adulto no Jornal A Nação. No Jornal da Tarde foram 156 críticas sobre teatro infantil.

Docência

Em 1964 torna-se professor da Escola de Arte Dramática (EAD). Em 1967 foi chamado para completar o quadro de professores do Curso de Teatro que estava começando no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) na Escola de Comunicações Culturais, que hoje se chama Escola de Comunicações e Artes. Em 1969 assumiu a posição de diretor da EAD e do Departamento de Teatro da ECA, neste último, substituindo Alfredo Mesquita. Em 1969 tornou-se professor do curso de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Em 1999 recebeu o título de professor emérito pela mesma instituição.

Ainda em 1969, integrou a comissão responsável por elaborar o Ante-projeto de Estutura Curricular dos Cursos de Teatro da ECA, designado pela portaria no 13 de 08 de julho de 1969. A Escola de Arte Dramática (EAD) é uma escola técnica de formação de atores, fundada em 2 de maio de 1948 por Alfredo Mesquita e integrada à Universidade de São Paulo em 1969. Foi incorporada ao CTR em 1969-1970. Clóvis foi coordenador do CTR entre 1970 e 1972. Participou de muitas comissões internas da Universidade, como: Comissão de Sindicância, instaurada pela Portaria no 5/69, de 22 de abril de 1969, sobre irregularidades nas listas de frequência; Comissão de Ensino da ECA (maio de 1969 a abril de 1970); Comissão Especial para propor critérios classificatórios para os contratos de professores pela Portaria 201 (1971); Comissão designada para elaborar o Antes Projeto de Regimento Interno da ECA (1972) e Comissão para planejar a instalação do Teatro da Universidade de São Paulo, TUSP. Dentre as funções que assumiu dentro da Universidade de São Paulo, estão: chefe do CTR (substituto, 1974/76/77 e titular em 1978); foi designado para responder pela Diretoria da ECA, na ausência do Diretor e do Vice-diretor no ano de 1974; representou a categoria docente doutores como membro do Conselho Departamental do CTR e Congregação da ECA; foi examinador na área de Artes para os candidatos de pós-graduação; coordenou a área teórica dos Cursos de Teatro do CTR (até 1979) e os cursos de pós graduação de teatro, também no CTR (a partir de 1979). Organizou o processo de reconhecimento dos cursos de Cinema, Rádio e Televisão. E em setembro de 1982, os cursos foram reconhecidos pela Portaria MEC no 359. Às vésperas de completar 70 anos, foi aposentado compulsoriamente:

A partir daí, surge, na USP, a opção de continuar ministrando aula, mas sem vencimentos e vínculo empregatício.

Clóvis também foi professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Literatura Clóvis escreveu um capítulo do livro Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1966. Escreveu a apresentação do livro O teatro de Timochenco Wehbi de 1980 e um capítulo do Teatro e Ensino de Literatura, em 1981.

Obras teatrais

Referências