Introdução Crítica à Sociologia Brasileira é um livro do sociólogo brasileiro Alberto Guerreiro Ramos publicado originalmente em 1957 pela Editoral Andes. O livro foi finalizado em 1956 e publicado no ano seguinte, reunindo textos desse interregno 1954-1956. O livro foi reeditado pela Editora UFRJ em 1995. O livro traz importantes reflexões sobre a sociologia no Brasil e sobre a área de estudo como um todo, fazendo distinções e orientando reflexões e metodologias que foram e são retomadas por diversos autores contemporâneos. O autor questiona a importação acrítica de teorias estrangeiras e propondo uma sociologia nacional autônoma e politicamente orientada.

Estrutura Introdução Crítica à Sociologia Brasileira, na edição de 1995, está dividido em três partes: 1a) "Crítica da Sociologia Brasileira"; 2a) Cartilha Brasileira do Aprendiz de Sociólogo (prefácio a uma sociologia nacional); 3) Documentos de uma Sociologia Militante. Além disso, contém duas notas introdutórias (uma escrita por Clóvis Brigagão e outra por Joel Rufino dos Santos), além de um prefácio, Apêndice e Anexo. Dentre os capítulos teóricos destacam-se:

Na parte 1, "Crítica da Sociologia Brasileira", destaca-se o Capítulo 5 que contém uma análise dos mais influentes esforços de teorização da realidade nacional politicamente orientados, desde 1870 até 1957. Na parte 3, destaca-se o capítulo de onde surge, pela primeira vez, a crítica conhecida como "Patologia social do 'branco' brasileiro".

Importância e legado O livro Introdução Crítica à Sociologia Brasileira é considerado por Clóvis Brigagão um dos clássicos da literatura sociológica brasileira, ao lado de A Redução Sociológica. Ainda segundo Brigagão, Guerreiro Ramos tece o fio condutor das raízes do pensamento sociológico nacional e, historicamente, o livro é indispensável para reorientar o estudo sistemático da sociologia brasileira. A obra é frequentemente citada em estudos acadêmicos e em abril de 2024 totalizava 1052 citações no Google Scholar. No mesmo ano de lançamento, em 1957, o livro recebeu uma resenha (reviewed work) na Sección bibliográfica da Revista Mexicana de Sociología. A resenha foi escrita por Óscar Uribe Villegas, da Escola Nacional de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México.

Crítica aos modelos importados Óscar Uribe Villegas (1957) escreveu na sua resenha do livro publicada na Revista Mexicana de Sociología: Trata-se, de fato, de os sociólogos latino-americanos deixarem de ser os cônsules honorários que geralmente têm sido da sociologia americana, francesa, alemã e marxista-soviética. Portanto, trata-se mais de abandonar uma atividade servil do que de romper relações diplomáticas, mais de uma mudança de tom do que de um distanciamento nas relações estabelecidas entre sociólogos de diferentes países; pode e deve até mesmo tratar-se de um fortalecimento de laços, mas de uma conexão mais íntima, em um nível de igualdade e dignidade. (Uribe Villegas, 1957, p. 536) Segundo o próprio autor, Guerreiro Ramos:Há em nossa disciplina sociológica uma espécie de "falar correto", semelhante ao dos cultores da língua pura que renunciam, por exemplo, aos critérios comunitários, vivos, de correção, em favor dos critérios artificiais, importados. Assim como para esses puristas brasileiros, falar certo é falar como falam os portugueses em Portugal, uma arte difícil que só alcança a minoria dos que conhecem as regras de colocação de pronomes e da crase, induzidas do falar lusitano, do mesmo modo se pretende praticar a sociologia no Brasil, de maneira hipercorreta, literalmente tal como no exterior. As orientações e tendências aparecem aqui, simetricamente, na mesma ordem em que surgem lá. (RAMOS, 1995, p. 38)

Problema do negro e a patologia social do branco brasileiro Ao analisar e agir diante do “problema do negro” no Brasil, Guerreiro Ramos (1995, p. 215) e patologia social do branco brasileiro, ele elabora os conceitos de "negro-tema" e "negro-vida": O negro-tema é uma coisa examinada, olhada, vista, ora como ser mumificado, ora como ser curioso, ou de qualquer modo como um risco, um traço da realidade nacional que chama a atenção. O negro-vida é, entretanto, algo que não se deixa imobilizar; é despistador, protéico, multiforme, do qual, na verdade, não se pode dar versão definitiva, pois é hoje o que não era ontem e será amanhã o que não é hoje. Guerreiro Ramos Guerreiro Ramos (1995, p. 236) tece sua crítica do tratamento convencionalmente dispensado ao tema:[...] o que se tem chamado no Brasil de “problema do negro” é reflexo da patologia social do "branco" brasileiro, de sua dependência psicológica. Foi uma minoria de “brancos” letrados que criou esse “problema”, adotando critérios de trabalho intelectual não induzidos de suas circunstâncias naturais diretas. Nestas condições, reconhece-se hoje a necessidade de reexaminar o tema das relações de raça no Brasil, dentro de uma posição de autenticidade étnica. (RAMOS, 1995, p. 236)

Ver também Abdias do Nascimento Teatro Experimental do Negro Instituto Superior de Estudos Brasileiros

Bibliografia Guerreiro Ramos, Alberto (1957), Introdução Crítica à Sociologia Brasileira 1a ed. , Rio de Janeiro: Editoral Andes , 224 pp. Guerreiro Ramos, Alberto (1995), Introdução Crítica à Sociologia Brasileira, ISBN 85-7108-128-X 2a ed. , São Paulo: Editora UFRJ , 290 pp.

Referências

Ligações externas

SOUZA, G. C. DE .; ORNELAS, A. L.. Alberto Guerreiro Ramos e a autonomia dos estudos organizacionais críticos brasileiros: escorços de uma trajetória intelectual. Cadernos EBAPE.BR, v. 13, n. 3, p. 438–461, jul. 2015. https://doi.org/10.1590/1679-395115869 Guerreiro Ramos e a arte negra. Cadernos Textos e Debates No 18/2019. Universidade Federal de Santa Catarina. Núcleo de Estudos de Identidade e Relações Interétnicas. Número 18 (2019) - Florianópolis: UFSC/NUER, 2019, 41 p. ISSN 2526-981X. https://ipeafro.org.br/wp-content/uploads/2020/07/Caderno-NUER-n18.pdf