A Capitania da Paraíba do Sul, também denominada de Campos dos Goytacazes, foi uma das subdivisões administrativas do período colonial da América portuguesa e uma das sucessoras da antiga Capitania de São Tomé, que havia sido doada a Pero de Góis, ex-capitão-mor da Capitania de São Vicente, pelo rei de Portugal João III, em 1534.
A noção de colônia na historiografia Embora frequentemente descrita como parte do Brasil Colônia, as capitanias não eram compreendidas por seus contemporâneos como integrante de uma entidade político-administrativa denominada "colônia". Durante o século XVIII, os documentos oficiais da Coroa Portuguesa referiam-se aos territórios ultramarinos americanos como partes do Império Português, subordinadas ao Estado do Brasil ou diretamente à administração régia. Na historiografia contemporânea, o termo colônia é utilizado como uma categoria analítica destinada a descrever as relações políticas, econômicas e administrativas estabelecidas entre as monarquias europeias e seus domínios ultramarinos. Nesse sentido, a expressão Brasil Colônia constitui uma construção historiográfica posterior, empregada para designar o período em que os territórios americanos sob domínio português encontravam-se subordinados à Coroa e integrados ao sistema imperial luso.
História Pero de Gois chegou à São Tomé e lá permaneceu entre os anos de 1537 e 1538, onde fundou, às margens do rio Itabapoana, a Vila da Rainha. O donatário iniciou, então, com mudas que trouxera da Capitania de São Vicente, um cultivo rudimentar de cana-de-açúcar, porém ele e os colonos europeus eram frequentemente hostilizados pela população nativa. Alguns anos depois, Pero de Góis retorna a Europa a fim de trazer de lá equipamentos para a incipiente indústria da cana, porém, ao retornar à capitania em 1548, a encontra destruída e abandonada pelos europeus. A capitania permaneceu nessa condição durante boa parte do século XVI, até, segundo o historiador inglês do começo do século XIX Robert Southey, um grupo de aventureiros ingleses se instalarem em São Tomé no ano de 1570. Em 1619 a capitania de São Tomé se encontrava abandonada e foi renunciada em favor da coroa portuguesa, sendo integrada à Capitania do Rio de Janeiro. Essa mudança visava reforçar o domínio português na região, a qual sofria constante assédio de colonos e corsários franceses e ingleses. Em 1627, sete militares solicitaram ao governador do Rio de Janeiro, Martim Correia de Sá, que as terras lhes fossem dadas como recompensa pelos serviços prestados nas lutas contra os invasores holandeses e contra os piratas ingleses e franceses que infestavam o norte fluminense. Os Sete Capitães, como ficaram conhecidos, foi um grupo de militares, alguns nascidos no Reino e outros no Brasil, que receberam parte das terras naquela região em sesmaria, no século XVII. São considerados os exploradores e os primeiros colonizadores da região de Campos dos Goytacazes, Conceição de Macabu, Carapebus, Macaé, Quissamã e Rio Bonito. Entretanto, a região permaneceu pouco povoada e sofrendo constante assédio dos índios goytacazes, o que dificultava o assentamento de colonos europeus e o estabelecimento da lavoura. Disputas entre os colonizadores que se estabeleceram e o governo da capitania fluminense também eram frequentes. Em 1674, a antiga área da Capitania de São Tomé viu ser recriada uma nova unidade administrativa, agora denominada a Capitania da Paraíba do Sul, também retratada como como Capitania de Campos dos Goitacases. Foi recebia em donataria por Salvador Correia de Sá e Benevides. Esta nova capitania experimentou um período de relativa prosperidade, impulsionada principalmente pela instalação de engenhos de açúcar que dinamizaram a economia local, situação que se estende até os dias atuais. A região dos Campos dos Goitacases tornou-se um centro importante para a produção açucareira, contribuindo significativamente para a economia colonial. A área da Capitania da Paraíba do Sul correspondia, em termos atuais, à porção norte do Rio de Janeiro, indo desde a área da atual Três Rios até o litoral de Rio das Ostras, avançando daí até o limite do rio Itapemirim, ao norte, com a Capitania do Espírito Santo. Em 1750, após reestruturação das políticas da coroa portuguesa em relação ao Estado do Brasil, aquela decidiu pela extinção da Capitania da Paraíba do Sul e sua reincorporação à Capitania do Rio de Janeiro, fruto da necessidade de centralização e do fortalecimento do controle metropolitano sobre à colônia. Seu território atualmente faz parte tanto dos estado brasileiro do Rio de Janeiro, quanto do Espírito Santo.
Ver também História do Rio de Janeiro História do Espírito Santo História do Brasil Ciclo do pau-brasil Ciclo do açúcar Lista de governadores do Rio de Janeiro Paraíba do Sul
Referências
Ligações externas Os limites da soberania régia, capitania da Paraíba do Sul entre 1727 e 1730, por Ronald Raminelli12, UFF – CNPq – Faperj